PUB
Os castros de Guimarães
Quinta-feira, Dezembro 7, 2017

Os montes do Outinho (à direita), Sabroso (ao centro) e São Bartolomeu (à esquerda), vistos da Citânia de Briteiros.

Uma especial particularidade dos antigos povoados pré-romanos conhecidos como “castros” é a sua intervisibilidade. Localizados em elevações, permitiam um controlo visual do território envolvente e dos povoados vizinhos, o que por si só não indicia que estas comunidades estariam em luta constante umas com as outras…

Do contacto que temos com vários visitantes na Citânia de Briteiros, ressalta sempre a questão acerca de outros castros que serão visíveis do local. Na verdade, além do vizinho Castro de Sabroso, e do monte de Santa Marta das Cortiças, onde se detetaram importantes vestígios de ocupação de diferentes épocas, o que se avista da Citânia de Briteiros são os montes que formam as cumeadas circundantes.

Existem vestígios documentados de povoados castrejos em vários desses montes, quase sempre com base em notas de Francisco Martins Sarmento, retiradas no decorrer das suas frequentes excursões. Consequentemente, a Carta Arqueológica do PDM de Guimarães assinala vários sítios arqueológicos, cautelosamente registados devido a essa documentação, mas sobre os quais nada mais se sabe. Será este o caso do sítio registado em Penselo, no Monte de São Tiago, como povoado da Idade do Ferro, ou do lugar próximo conhecido como “Miuteira”. Será o caso da Senhora do Monte, em Serzedelo; dos “castros” de Gonça e Prazins; do lugar conhecido como “Monteselo”, em Santa Leocádia de Briteiros… Ou do monte de São Bartolomeu, em São Clemente de Sande, onde ainda se distinguem os alinhamentos de muralha.

São locais que nunca foram convenientemente estudados, ou seja, podem ter ou não vestígios à superfície, podem esconder estruturas arqueológicas no subsolo, como podem, de facto, não guardar qualquer vestígio do passado. Mas podem ser, de facto, sítios arqueológicos de outras épocas históricas, como fortificações medievais ou modernas, acampamentos romanos, povoados pré-históricos, sítios rupestres. Posto isto, dizer que em Guimarães “há muitos castros” acaba por ser uma generalização pouco fundamentada. Os dois que conhecemos, de facto, são dois notáveis exemplares. Mas pouco sabemos sobre os outros.

Mas vem isto a propósito da proteção legal do património arqueológico. Devemos ter em conta que há, seguramente, uma grande quantidade de sítios arqueológicos que não estão inventariados no PDM. Por outro lado, a sua marcação na Carta Arqueológica não é, por si, uma salvaguarda, porque não corresponde a uma classificação, com as medidas de proteção daí decorrentes.

Porque não promover à prospeção arqueológica desses locais e proceder à classificação como valor concelhio (ou interesse municipal) nos casos justificados? Fica a dica para os responsáveis autárquicos.