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Mais avós do que netos

Ana Menezes
Opinião \ quinta-feira, janeiro 06, 2022
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Desde os anos 80 que a esperança media de vida aumenta 2 anos por cada década (10 anos). Será um problema ou mais um desafio?

O envelhecimento conjuga um conjunto de alterações nas capacidades física e mental, que resulta de alterações nas células do nosso corpo. É, portanto, um processo contínuo, que não é igual para todas as pessoas e muito dependente das vivências de cada um, do seu estado de saúde, ambiente familiar e comunitário.

O ano de 2019 foi um ano de viragem na evolução demográfica da população mundial, uma vez que o número de pessoas com mais de 65 anos foi superior ao número de crianças com 5 ou menos anos de idade. Este desequilíbrio é consequência da baixa natalidade (poucos nascimentos) e de um aumento da esperança média de vida, o que levou a que atualmente haja “mais avós do que netos”. Em 2015 a população com mais de 60 anos representava 12% do total e em 2050 estima-se que represente 22%.

Esta alteração demográfica constitui um desafio não só para o nosso sistema nacional de saúde, mas também em termos sociais, com necessidade de uma melhor adequação de respostas a nível da comunidade.

O envelhecimento não é igual para todos, e sabemos que é marcado por perdas de funcionalidade, mormente nas atividades instrumentais de vida diária (fazer compras, preparar as refeições, pagar as despesas…) e nas atividades básicas da vida diária (tomar banho, vestir, comer pela própria mão…). Portanto apesar da longevidade ser um bom indicador de saúde interessa também que sejam anos com qualidade de vida.

No entanto cabe a cada um de nós envelhecer de forma mais saudável e ativa possível, combatendo o sedentarismo e cuidando da nossa alimentação e da nossa saúde mental, com uma participação contínua na vida social, económica, cultural, espiritual e cívica.

Deixo aqui algumas sugestões:

             - Mexa-se!  A prática de exercício físico (caminhada, participação em aulas de grupo de ginástica, dança ou piscina) é o melhor remédio! Para além de ajudar a cuidar dos ossos e dos músculos, vai também proporcionar momentos de relaxamento e bem-estar;

             - Arranje um passatempo. Gosta de trabalhos manuais? Gosta de ler? Gosta de jardinagem e de agricultura? Escolha uma atividade que goste, vai ver que o ajuda a sentir-se melhor e a passar melhor o tempo;

             - Cuide da sua alimentação: faça pelos menos 5 refeições diárias. Mastigue bem os alimentos e não se esqueça da água. Evite alimentos com muito açúcar e gorduras processadas (bolos, fast food, refrigerantes) e prefira as carnes magras e o peixe. As fibras presentes nos legumes são essenciais para o nosso transito intestinal;

             - Não se isole. Desde o inicio da pandemia por COVID 19 que a nossa vida social foi muito sacrificada, no entanto com as novas tecnologias (videochamadas) ou com um simples telefonema conseguimos muitas vezes “encurtar” as distâncias;

            - Durma bem. Com o envelhecimento é natural que haja uma maior dificuldade em adormecer e um sono mais fragmentado, pois é um sono mais leve. É importante que se deite quando tem sono e que evite as bebidas estimulantes ou alcoólicas no final do dia. Tentar levantar-se à mesma hora todos os dias e apanhar luz durante o dia, pois esta luz ajuda à produção da hormona do sono (melatonina).

 

Tome as rédeas da sua saúde.