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Opções que nos são caras
Quinta-feira, Setembro 5, 2019

Até ao próximo dia 17 de Setembro está em discussão pública a Operação de Reabilitação Urbana (ORU) de Caldas das Taipas. Este documento, reúne o conjunto de intervenções, que a Câmara Municipal de Guimarães (CMG) irá fazer na nossa vila nos próximos 7 anos, a saber:

– requalificação centro da vila, da rua Joaquim Ferreira Monteiro e Alameda Rosas Guimarães;
– remodelação do antigo mercado;
– parque de lazer da praia seca
– percurso parque de lazer/pontilhão e parque de lazer/banhos velhos.
– rua Comandante Carvalho Crato.

O valor estimado para estas obras está muito próximo do valor do passivo da Taipas Turitermas, pouco mais de 6 milhões de euros.

As termas têm uma importância vital na dinâmica e identidade da nossa vila, por isso insisto e defendo a boa gestão da Turitermas que, na minha opinião, passa pela concessão a privados, libertando a empresa dos interesses político partidários a que está subjugada.

Aqui ao lado, em Vizela, a câmara municipal optou por concessionar a exploração das suas termas, alegando “inexperiência da autarquia no sector termal”. O contrato assinado entre a câmara e o Grupo Tesal obrigava o grupo espanhol ao pagamento de uma renda anual no valor de 60 mil euros, assim como a recuperação do edifício do balneário termal, a criação de acessos e arranjos exteriores, e a construção de piscinas termais.

Este ano foi inaugurado o complexo termal, um investimento de 5 milhões de euros feito pelo grupo privado, e onde destacam a piscina dinâmica, uma das maiores da Península Ibérica. Houve ainda lugar à reabilitação do antigo hotel Sul Americano, agora uma unidade hoteleira de 4 estrelas.

Com a entrega da concessão, a câmara de Vizela conseguiu que os privados pagassem as obras de requalificação, deixando assim o dinheiro dos impostos para as intervenções no espaço público, e assegurou uma gestão profissional do maior activo natural e turístico que têm.

O grupo Tesal gere balneários termais em Ourense e Monção. O administrador do grupo foi director dos banhos de La Toja por mais de 20 anos, e é o responsável pelo sucesso desta marca, hoje com projecção mundial.  Quando queremos que um projecto tenha sucesso entregamos a sua gestão aos melhores, não colocamos um bancário ou um jurista recém-licenciado a gerir, só porque têm cartão do partido.

Agora imaginemos que a CMG tinha optado por esta solução. Os 6 milhões de passivo da Turitermas teriam pago as obras agora propostas para a vila. O dinheiro que a CMG já injectou na Taipas Turitermas, nos últimos anos, teria dado para requalificar toda a freguesia, que precisa de mais intervenções do que aquelas previstas na ORU.

As termas estariam certamente melhores, já que a gestão privada é mais rigorosa e não se coaduna com prejuízos sucessivos. Provavelmente teríamos um hotel termal com melhores condições, e por isso mais turismo. A junta de freguesia, em vez de pagar um subsídio à Turitermas, como acontece hoje, poderia receber a renda paga pelos privados, que no caso é o dobro do subsídio que a câmara atribui todos os anos à nossa vila.

A gestão da coisa pública só faz sentido se for articulada com os diferentes actores civis. Não é sequer uma questão ideológica, já que a câmara de Vizela também era/é socialista. O dinheiro público é limitado e a sua gestão obriga a fazer opções. Porque o nosso dinheiro foi gasto na Turitermas, o percurso dos banhos velhos para o parque de campismo, previsto para 2012, está ainda por fazer, os passeios da alameda estão num estado calamitoso, a zona ribeirinha está abandonada, o centro da vila degradado. E assim vai continuar, por mais 7 anos!