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Obras no centro cívico: projeto começou com Constantino Veiga e segue com Luís Soares
Domingo, Outubro 18, 2020

O projeto de intervenção no centro cívico da vila, há muito a ser laborado, começou a ser traçado com Constantino Veiga na presidência da Junta de Freguesia de Caldelas, sendo que pelo meio Luís Soares assumiu esse cargo. O ex-autarca e o autarca têm visões diferentes do projeto. O Reflexo ouviu os dois intervenientes no processo:

Constantino Veiga

“Projeto interessantíssimo, mas fora de tempo”

O projeto de requalificação do centro cívico das Taipas foi apresentado em 2017 quando Constantino Veiga era o presidente da Junta de Freguesia de Caldelas. Constantino Veiga esteve ao lado de Domingos Bragança nas sessões públicas de apresentação e discussão da proposta da arquiteta Marta Labastida, foi um entusiasta do projeto, mas acha que três anos volvidos a obra chega fora de tempo.

“Já está fora de tempo, como todos os projetos da Câmara Municipal de Guimarães. Esta obra, que eu acompanhei, e gosto muito do projeto, está um projeto interessantíssimo, pode já não estar ajustado à realidade. O comércio está todo a definhar, as obras que vão fazer agora vão acabar com eles. Não falo do projeto, a obra em si está fora de tempo. As Taipas já devia ter tido esta obra em 2000 ou por aí. Hoje há um problema que não havia, que é a falta de gente na vila. Não há gente. Estão a tirar o lugar de carros para que possa andar lá gente. Isto é um conjunto de ansiedades e preocupações que se vão traduzir em emoções fortes capazes de atirar muita gente para a doença. Os autarcas têm a responsabilidade social de promover o desenvolvimento e não criar betão”, atira o ex-presidente da junta.

No entender de Constantino Veiga uma intervenção de fundo, prevista para dois anos, não era necessária, defendendo um arranjo urbanístico faseado. “Um arranjo urbanístico não precisa de ter uma intervenção de fundo, como este vai ter. Precisa de coisas para as pessoas vir à rua e para que possam aceder ao café, ao comércio. Isso é importante. mas não é preciso uma intervenção de fundo. Vão parar isto tudo, as pessoas vão pegar no carro e vão para os centros comerciais, e o comércio definha como já está. E, eu já ando nisto há muito tempo, sei perfeitamente que a obra não está pronta em dois anos”, refere Constantino Veiga ao Reflexo.

Crítico em relação ao timing desta intervenção, o ex-autarca sublinha que “o projeto ainda não começou e já está esgotado”, na medida em que há outro tipo de necessidades na vila. “As Taipas precisava de organizar o centro, precisava que os percursos de entrada e saída fossem organizados, que não são, anda tudo a monte. Podia urbanizar-se este inferno com sentidos únicos e melhor escoamento do trânsito.  Vai ter meia dúzia de lugares de estacionamento, que são logo ocupados pelos funcionários dos bancos e depois as pessoas para ir ao comércio não têm estacionamento. Este projeto está já desfasado da realidade. A intenção da arquiteta era boa, mas as Taipas precisa de mais do que isso nesta altura. Era interessante se viesse no tempo devido, nesta altura não vem fazer grande coisa”, conclui.

 

Luís Soares

“Projeto inovador como se faz nas grandes cidades”

Luís Soares, presidente da Junta de Freguesia de Caldelas, considera que com esta intervenção a Vila das Taipas ficará “ao nível das cidades médias de Portugal e das melhores cidades da Europa”, dizendo estar expectante relativamente a este passo que irá  “mudar a face da vila”.

“É um projeto arrojado e inovador, um pouco naquilo que se faz nas grandes cidades portuguesas e europeias, em que se privilegia o peão e se devolve o espaço público às pessoas, relegando para segundo plano o automóvel. No concelho de Guimarães não há um projeto desta envergadura para além do centro da cidade, e é uma aposta feliz da Câmara Municipal, que concretiza um anseio de há muito tempo dos taipenses. Naturalmente que obrigará a uma adaptação ao nosso quotidiano, não só no decorrer da obra mas sobretudo no final, mas não tenho dúvidas que aqueles que aqui residem, trabalham, têm o seu comércio, aqueles que nos vestiam, sairão beneficiados com esta intervenção”, refere em declarações ao Reflexo.

O líder máximo da freguesia dá conta que estão a ser trabalhadas formas de complementar este projeto com a oferta de estacionamento. “Estamos já a trabalhar para encontrar soluções com a retirada do número de estacionamentos, quer com a acessibilidade ao centro.  A Câmara Municipal tem trabalhado um conceito de bolsas de estacionamento periféricas ao centro urbano, felizmente da nossa periferia ao centro é de um a dois minutos a pé, por isso vamos ter de encontrar essas soluções para mitigar um problema que já acontece e que com o projeto do centro da vila se agravará, que é a questão do estacionamento. Estamos a trabalhar noutras iniciativas que virão complementar aquilo que é a diminuição dos lugares”, assegura.

O presidente da junta tem recebido um feedback positivo por parte das pessoas, até porque, na sua opinião, havia já um certo descrédito em relação a esta obra. “Estávamos a chegar a uma fase em que as pessoas já não acreditavam em que o projeto ia ser executado, porque de facto não é compreensível a demora do processo burocrático. Acho que a notícia do desbloqueio pelo tribunal de contas foi recebida pelas pessoas com muita satisfação. As pessoas querem que a obra se faça, que os problemas que existem hoje no espaço público, os passeios, a substituição e algumas árvores que estão num estado de perigo, tudo isso vai ser acautelado com este projeto e por isso as pessoas ansiavam muito isto”, atira.

Sem que este executivo tivesse possibilidade de introduzir mudanças substanciais a um projeto que estava já definido, Luís Soares diz que tem de se olhar de forma positiva para o acompanhamento arqueológico que a obra vai ter. “Oxalá se encontrem vestígios dos nossos antepassados, porque valoriza a nossa terra, que há muitos anos teve cá ocupação romana. Ninguém nos perdoaria se nesta intervenção não acautelássemos isso”, concretiza.