O rio
Sábado, Junho 17, 2017

A convite do Agrupamento de Escolas das Taipas CDU fui falar com alunos. O tema principal foi o Rio Ave.

O rio atravessa a freguesia numa significativa parcela do território, não só em extensão mas também pela posição dominante que ocupa, pelo que qualquer planeamento da vila não pode esquecer ou sequer minimizar a sua importância e impacto.

No meu tempo de criança, e já lá vão uns anitos, o rio e as suas margens, da praia seca às pontes, eram frequentadas por milhares de pessoas para recreio, lazer e pesca. Então, nas noites mais quentes de primavera e verão, as pessoas passeavam pela avenida e descansavam na relva do parque ou acompanhavam o desempenho de atletas do hóquei em patins, onde sobressaia o Zéquinha da Padaria, que no rinque empolgavam os aficionados-

E havia música e as barraquitas de comes e bebes, mais bebes que comes, que serviam o aconchego do estômago.

Taipas, então, estava mais virada para o rio do que está hoje.

Receio que os equipamentos em construção afectem negativamente o bucolismo, a tranquilidade, o sossego que o rio e o parque oferecem ainda. Mas de uma coisa tenho a certeza: o rio, bem aproveitado, limpo dos focos de poluição que o estragam e matam, tem potencialidades naturais que podem fazer das Taipas um destino insubstituível para quem queira descansar e recrear-se.

Mas não basta despolui-lo, há que dotar as suas margens e o parque de condições para as famílias o procurarem.

Há muito que nos prometem isso, mas os anos passam, os políticos de serviço são os mesmos mas não concretizam as suas promessas.

E não realizam o que prometeram para caçar o voto porque o que eles prometem não depende deles. A gestão do rio não está nas mãos da junta nem da câmara, logo as promessas do presidente da junta ou do presidente da câmara não são para levar a sério. Foi isso que expliquei aos meus generosos ouvintes.