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O processo de elevação de Caldas das Taipas a Vila e os festejos realizados a 19 de junho de 1940
Quinta-feira, Junho 18, 2020

O Dr. Alfredo Fernandes, diretor clínico da Empresa Termal das Taipas, durante a sua comunicação “Termas das Taipas: estância de turismo”, integrada no I Congresso Nacional de Turismo, realizado em 1936, na Sociedade Portuguesa de Geografia (Lisboa), propunha pela primeira vez, que a povoação de Caldas das Taipas fosse elevada à categoria de Vila.

Decorridos 4 anos, seria iniciado o processo burocrático de elevação de Taipas à categoria de vila. Todo o processo de elevação das Taipas à categoria de vila, remonta à sessão extraordinária de 27 de abril de 1940, da Junta de Turismo da Estância Termal das Taipas. Nesta reunião presidida pelo Comandante José Eduardo de Carvalho Crato, presidente da mesma, estando presentes os restantes membros na qualidade de vogais Francisco Pereira de Carvalho Ribeiro, Tomás Rocha dos Santos, Joaquim da Silva Ferreira Monteiro e João de Miranda Castro Antunes Guimarães. Nessa reunião, por unanimidade, foi resolvido pedir ao Ministro do Interior, a elevação de vila da freguesia de Caldelas e povoação de Caldas das Taipas, ficando definido que o Sr. José de Oliveira, secretário da mesma Junta de Turismo dirigisse o pedido e solicitasse parecer favorável ao Governador do Distrito, Junta de Província do Minho, Presidente da Câmara Municipal de Guimarães e à Junta de Freguesia de Caldelas.

Após a conclusão de todo este processo legal, a 19 de junho de 1940, seria publicado no Diário do Governo o decreto-lei nº30518, que elevaria à categoria de vila a povoação de Caldas das Taipas. Neste decreto do Governo e promulgado pelo Presidente da República António Óscar de Fragoso Carmona, é justificado a elevação a vila por esta povoação possuir: “variadíssimos e excelentes estabelecimentos comerciais, igreja, estação postal, com serviços de correios, telégrafos e telefone, mercado permanente e é um importante centro termal, agrícola e industrial”. Curiosamente, consultando os livros de atas da direção da Empresa Termal das Taipas SARL, temos conhecimento de que dias antes da assinatura deste decreto, o Presidente da República General Óscar Carmona esteve hospedado nesta localidade, no Hotel das Termas, juntamente com a sua família, bem como a Embaixada Extraordinária do Brasil, aquando do evento das Comemorações do Duplo Centenário, em Guimarães. Além de terem pernoitado e tomado as refeições no Hotel das Termas, tomaram banhos no estabelecimento termal, tendo deixado no livro de honra desta unidade hoteleira as mais lisonjeiras impressões sobre o conforto da mesma.

Ao folhearmos o semanário “Noticias de Guimarães”, de 23 de junho, temos referências do modo como a notícia foi conhecida em primeira mão na povoação, bem como os festejos que se efetuaram nesse mesmo dia. Os taipenses tiveram conhecimento desta notícia, ao fim da tarde do dia 19 de junho de 1940, através da emissão radiofónica da Emissora Nacional. A notícia correu rapidamente, não tardando que repicassem os sinos da Igreja Matriz, estralejassem os foguetes e uma banda de música percorresse as principais artérias da nova Vila, enquanto que em frente à sede da Junta de Turismo da Estância Termal das Taipas se aglomerou um grande número de taipenses, que para aí convergiu, ao som dos hinos das Taipas e da cidade de Guimarães. Numa das sacadas da sede da Junta de Turismo, o Sr. Tomás Rocha dos Santos proferiu um discurso improvisado, manifestando o seu contentamento pela notícia de elevação das Taipas à categoria de vila, que constituía há muito tempo o sonho dourado de todos os taipenses. Neste discurso, Rocha dos Santos, tem palavras de reconhecimento e de apreço para com o Dr. João Antunes Guimarães, deputado da Nação, e para com o Comandante José Eduardo Carvalho Crato, presidente da Junta de Turismo, personalidades a que as Taipas muito deviam. As palavras de Rocha dos Santos foram concluídas por uma prolongada salva de palmas, sendo levantadas vivas ao Dr. João Antunes Guimarães, ao Comandante Carvalho Crato, ao Ministro do Interior e a Portugal.

Rapidamente na imprensa local e regional, esta notícia seria amplamente difundida.

Na reunião da Câmara Municipal de Guimarães, de 26 de junho de 1940, o vereador Joaquim da Silva Ferreira Monteiro apresenta a proposta de um voto de louvor e agradecimento ao Deputado da Assembleia Nacional Dr. João Antunes Guimarães, pelo seu relevante papel junto do Governo para que as Caldas das Taipas fosse elevada à categoria de vila. Esta proposta foi aprovada por unanimidade por todos os vereadores e pelo Presidente da autarquia Dr. João Rocha dos Santos.