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O preço de ser vimaranense
Quinta-feira, Março 8, 2018

Todos nós, vimaranenses, sabemos o orgulho que é poder dizer que moramos no berço de Portugal mas, já parou para pensar quanto lhe custa essa afirmação?

É importante perceber que o custo de vida varia muito de concelho para concelho, um salário mínimo não rende o mesmo em Guimarães ou no Porto e as políticas municipais têm um impacto directo no nível de vida dos portugueses. IMI, IRS, IRC, IUC, derrama, água, saneamento, lixo são apenas alguns dos impostos/taxas que pagamos ao nosso município e, que têm impacto e peso no orçamento das famílias.

Uma rápida comparação com o concelho vizinho de Braga, mostra que Guimarães é mais caro desde logo porque a Câmara Municipal de Guimarães (CMG) cobra taxas e impostos mais altos. Habitação, água, saneamento, lixo e transportes públicos, tudo é mais caro em Guimarães. Em termos práticos significa que as famílias vimaranenses têm menos dinheiro disponível porque pagam mais ao seu município pelos mesmos serviços que os vizinhos bracarenses. Isto é ainda mais grave se olharmos para as estatísticas que nos mostram que os salários são, em média, 128€ mais baixos em Guimarães que em Braga. Também em sede de IRS os vimaranenses são castigados, tendo a CMG estipulado o valor máximo de 5% enquanto Braga se ficou pelos 4,25%.

Quanto às empresas, em Braga, um pequeno negócio que fature menos de 150 mil euros/ano, está isento da taxa de derrama, enquanto no nosso concelho paga 1% ao município. Esta penalização às empresas traduz-se numa maior taxa de desemprego, tendo o nosso concelho 8,2% da população activa sem emprego, enquanto que Braga se fica pelos 7,9%. Isto e apesar do “esforço” da CMG em assumir-se como um dos maiores empregadores do concelho. Aliás, o investimento da CMG em diminuir o desemprego é tal que este é, em toda a região Minho, o município com mais funcionários. Braga tem mais população, mais escolas, mais visitantes, mais infra-estruturas públicas mas menos funcionários na administração pública local.

Não se pretende aqui recriar a velha rivalidade Guimarães vs Braga, até porque na disputa dos melhores municípios para viver, Guimarães está muito atrás de Braga (10 lugares, de acordo com o ranking da Consultora Bloom). Pretende-se sim uma chamada de atenção aos vimaranenses.

Um município com uma boa gestão preocupa-se em não sobrecarregar os seus munícipes com impostos, pois isso tem um impacto directo na vida das pessoas, principalmente numa zona caracterizada por baixos salários. Preocupa-se em atrair investimento e isso faz-se com políticas fiscais atractivas para empresas, pois são estas que criam emprego e geram riqueza numa região. Preocupa-se em fixar pessoas, o nosso concelho está a perder população de forma acentuada e a envelhecer porque os jovens não têm poder de compra para morar em Guimarães.

Guimarães hoje é um município de forma mas sem substância. Perdura ainda uma mentalidade monárquica de afirmação pela opulência. Trabalha muito bem a sua imagem, deslumbra-se com os títulos de capital disto e cidade europeia daquilo, mas falha no essencial que é proporcionar melhor qualidade de vida aos seus munícipes.