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O patinho feio
Segunda-feira, Março 13, 2017

Muitos de nós lemos a historieta do patinho feio na infância e alguns comoveram-se com as suas desventuras. O complexo de Kalimero, o patinho a quem todos queriam mal, surge a cada passo na literatura para ilustrar as pessoas ou as instituições que gastam boa parte do seu tempo a desculparem-se com a adversidade que lhes cai em cima, porque todo o mundo lhes quer mal, mas nunca admitem a hipótese de eles próprios se colocarem em confronto com o que os rodeia.

Há muito que a Junta de Freguesia de Caldelas assumiu o papel de patinho feio. Da Câmara Municipal de Guimarães só espera manobras no sentido de adiar as obras necessárias e que são da responsabilidade do município. Não há assembleia de freguesia em que o presidente da Junta não atire as culpas do que não se faz para as costas do município.

Sejamos claros.

O município tem grandes e graves responsabilidades no que se passa nas Taipas. Desde o tempo da criação do concelho de Vizela que a câmara de Guimarães, então como agora governada pelo PS, foi avara nos investimentos e pior do que ser avara foi a justificação que foi deixando cair aqui e ali e que só podiam acicatar os ânimos dos que nas Taipas erguiam a bandeira do concelho como único meio de ter o que enquanto parte do município de Guimarães não teriam. Não serve como argumento democrático dizer que Taipas reivindicava tudo e se Guimarães lhe desse tudo estava a dar-lhe os argumentos substantivos indispensáveis para a elevação a concelho.

Taipas, como outras freguesias, não é uma freguesia qualquer e as suas especificidades, o seu papel central e aglutinador, não pode ser ignorado ou sequer subestimado no quadro de uma correta e harmoniosa gestão do território e, além disso, as reivindicações autonomistas, com fraca e desestruturada implantação no terreno, medra na proporção direta do sentimento de injustiça que uma política municipal sectária e irracional potencia.

Portanto, houve erros da Câmara, erros da governação do PS.

Mas a Junta de Freguesia ao portar-se e comportar-se como se fosse uma câmara clandestina, propondo fazer o que não está nas suas competências num claro desafio à autoridade concelhia e à lei, coloca a freguesia debaixo de fogo. Essa estratégia, concebida e executada pelo PSD das Taipas com o silêncio cúmplice do PSD de Guimarães foi colocar as Taipas ao serviço da estratégia de desgaste da câmara, com obvio sacrifício dos interesses da vila. A reação do PSD de Guimarães às veleidades separatistas do PSD das Taipas não passou de ameaças inconsequentes que ninguém leva a sério.

As farroncas do presidente da Junta, não incomodam a câmara e prejudicam a freguesia. O facto de ao fim de três mandatos os investimentos e obras não saírem do papel, mais palmada nas costas menos palmada, demonstra que as Taipas pesa pouco para a câmara e a Junta não incomoda.

Taipas não tem que fugir da frigideira para cair no lume. Há mais possibilidades.