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O Mundo ao Contrário
Quinta-feira, Outubro 23, 2008

O título de um álbum musical dos Xutos & Pontapés “O mundo ao contrário” serviria perfeitamente para espelhar os acontecimentos da última Assembleia da Junta de Freguesia de Caldelas.

Paradoxalmente, a oposição, mais concretamente a bancada do PS, anunciou a realização de obras na freguesia em consequência da sua reivindicação junto da Câmara Municipal, puxando para si a responsabilidade pelo êxito. Por sua vez o executivo da Junta anunciava o habitual, ou seja, até ao momento e em consequência das suas reivindicações junto da Câmara Municipal… Nada de novo.

No entanto, o presidente da Junta acabou a sessão com o anúncio sobre a existência de contactos estabelecidos entre si e um importante investidor nacional interessado em adquirir… as Termas. Estas, são propriedade da Cooperativa Taipas-Turitermas e a Junta de Freguesia é apenas um accionista minoritário, cabendo o principal papel à Câmara Municipal accionista principal e maioritário.

É evidente que a estes factos não são alheios o aproximar das eleições autárquicas e a anunciada candidatura de Ricardo Costa como n.º 1 da lista do PS, tal como o desdém com que o executivo da Junta de Freguesia olha para a direcção da Cooperativa Taipas-Turitermas, que como se sabe, é ocupada por pessoas da confiança (e cor) política do poder vigente no convento de Santa Clara, entre elas, o actual lider da bancada do PS na Assembleia de Freguesia.

Assim, nesta inversão de papeis, mais uma vez, se destacaram as habituais questiúnculas políticas, ou como diz o povo: as “polítiquices”, com a ridícula necessidade de ver quem consegue o quê e antes de quem, tal como atacar a casa alheia no anseio de esconder o que vai na própria casa. Pelo meio vai transparecendo que o muito pouco que se faz ou fará, tem objectivos mais profundos que os interesses da população ou da freguesia.

Perante a leitura acima, cabe-me fazer aqui um parêntesis para esclarecer claramente que o exercício político é um dos mais nobres exercícios de cidadania. Tal como expressou sem contemplações Bertold Brecht: “…o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Da ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista…”
Mas exige-se que essa actividade política seja exercida com seriedade, dignidade e sempre no interesse dos cidadãos e das populações. Quando tal não acontece, cabe aos cidadãos e às populações através do seu voto julgar e castigar os maus políticos ou dar a confiança àqueles que efectivamente a merecem.

Posto este parêntesis e continuando no cerne da questão, é inequívoco que este tipo de política não beneficia ninguém e muito menos as Taipas e a sua população.

A bancada do PS deu um tiro no próprio pé e Ricardo Costa foi quem mais saiu beliscado. Deitou mais uma acha para a fogueira que arde entre a Junta e a Câmara; deixou no ar uma possível dualidade de critérios políticos utilizados pelo actual poder instalado na Câmara; finalmente, os contornos deste anúncio podem criar ainda mais dificuldades na realização da obra.
Inconscientemente, Ricardo Costa ao ser cúmplice desta estratégia obreira do PS na oposição deu sinais de grande imaturidade política. Imaturidade política é um atributo dispensável para a exigência do cargo que se propõe ocupar futuramente.

Constantino Veiga perante a actual e previsível futura ausência das inúmeras obras prometidas, continua a dar largas aos seus devaneios. Além de que, ali não era o local nem a circunstância para tal anúncio, as Termas não estão à venda – penso eu – e Constantino Veiga não detém legitimidade nem poder para ser interlocutor em tais contactos. Assim, fica a ideia de que se trata de mais um fait-divert do presidente da Junta tentando introduzir no debate taipense um tema que não tem sequer pernas para andar.

Relativamente ao famoso inquérito em curso sobre procedimentos de tesouraria, foi anunciado pelo tesoureiro da Junta de que tudo estava a ser conduzido apenas por si, o próprio tesoureiro, e um advogado que – o tesoureiro não disse, mas digo eu – apenas por coincidência é um destacado membro do PSD/Guimarães.

Ser juiz em causa própria não é abonatório para a transparência, mas foi o que decidiu o tesoureiro da Junta de Freguesia e ele lá saberá porquê.

Seria aconselhável que o inquérito fosse também acompanhado, pelo menos, pelo presidente e um deputado da Assembleia de Freguesia. Assim não achou o tesoureiro, permitindo desta forma que sobre um assunto tão importante e melindroso se possam levantar demasiadas dúvidas e perguntas no futuro.

Trago estes factos ao artigo deste mês porque através deles podemos encontrar algumas das razões para que a Vila das Taipas continue mergulhada numa enorme apatia relativamente ao desenvolvimento social, ao aproveitamento das zonas de lazer, à cultura, entre tantas outras potencialidades. Cabe agora ao leitor tirar as devidas conclusões.