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O grito que se impõe
Quinta-feira, Janeiro 17, 2019

Estávamos em Janeiro de 2012, o PS Taipas, emite um comunicado de imprensa a pedir a demissão do Presidente da Assembleia de Freguesia (AF), Pedro Martinho, alegando que este era parcial na condução dos trabalhos.

Na altura as assembleias eram durinhas, com muito combate político. O presidente da AF tinha a difícil tarefa de controlar os ânimos e impedir que as discussões se descontrolassem. Conseguia-o através de um rigoroso cumprimento do regimento e da Lei. Houve situações desagradáveis, mas nunca houve tentativas de agressão nem ataques sexistas.

O actual presidente da AF, Sérgio Araújo, é-o há pouco mais de um ano e conta já mais casos que qualquer um dos seus antecessores. Ou porque viola os prazos legais no envio de documentos, ou porque marca assembleias extraordinárias para aprovar contratos sem os apresentar, levando a assembleia a aprovar documentos sem saber o seu conteúdo. Ou porque, como aconteceu na última AF, a junta não apresenta os documentos financeiros entre sessões, conforme obriga a Lei, sem que mereça uma palavra de repreensão do presidente da AF, impedindo o saudável e obrigatório controlo orçamental das finanças da Freguesia.

Há ainda o episódio da tentativa de agressão por parte do irmão de Augusto Mendes, líder da bancada do PS, a Constantino Veiga, durante a assembleia sem que o presidente, Sérgio Araújo, tenha tomado qualquer atitude.

Impõe-se a questão: o que diria o PS Taipas de 2012 do actual Presidente da AF?

Em 2012, Sérgio Araújo era deputado do PS e assinou o pedido de demissão do presidente da AF. Como deputado, Sérgio Araújo tinha um comportamento errático, intempestivo, chegando a  abandonar a sessão da assembleia a meio sem justificação. Em 2015, Sérgio Araújo, foi um dos responsáveis pela suspensão de uma sessão da assembleia pelo então presidente Mário Ribeiro. Recorde a notícia e as razões aqui.

Ao presidente da AF compete dirigir os trabalhos em cumprimento com a Lei e o regimento, promovendo a discussão e o diálogo político de forma a que este órgão cumpra a sua função deliberativa e fiscalizadora. O presidente da AF é um mediador a quem se exige uma postura diplomática, de concórdia e bom senso. Sérgio Araújo não tem esse perfil, era desregrado como deputado, continua a sê-lo enquanto presidente da AF.

Na última assembleia Sérgio Araújo achou que podia usar da sua posição de poder para intimidar uma deputada, passando parte da assembleia a gritar com ela e a insultá-la. Chamado à atenção várias vezes pelo tom de voz utilizado e pelos insultos proferidos, o presidente da AF berrava ainda mais.

A deputada era eu. Não sou uma fervorosa feminista (prefiro humanista) mas tenho de admitir que na política sinto o peso de ser mulher. Infelizmente a política nacional ainda está cheia de machistas que, não sabendo argumentar com uma mulher recorrem à intimidação e à tentativa de diminuição da sua oponente através de atitudes paternalistas ou insultos sexistas como os proferidos pelo presidente da AF. Não caro presidente, não sou “histérica” ou “descompensada”, nem preciso de “pastilhinha”. O meu senso crítico não é TPM.

Disse-me o presidente da AF que o meu lugar era na feira, pois eu respondo-lhe o lugar das mulheres é onde elas quiserem. E o meu lugar é na Assembleia de Freguesia para onde fui democraticamente eleita e onde continuarei a pugnar pelos interesses das Taipas e dos Taipenses, questionando o que é questionável sem medo de berros, ameaças, insultos e caras feias. Porque a minha voz de Mulher e cidadã ninguém cala.