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O diálogo e os seus níveis
Quinta-feira, Julho 2, 2009

A palavra diálogo vem do grego “dia-lego”, que significa falar com alguém. O diálogo, segundo os dicionários, é a conversa entre duas ou mais pessoas que, alternadamente, manifestam as suas ideias ou sentimentos.

No diálogo comunicamos sobretudo através da palavra. Setenta e oito por cento da nossa comunicação faz-se com a palavra. Mas também comunicamos utilizando a linguagem não-verbal: a expressão do rosto, a tonalidade da voz, o olhar, a posição das mãos, o sorriso, as carícias, o silêncio.

Diálogo é comunicação. Por conseguinte, para que o diálogo tenha grande qualidade, a comunicação deve ser cada vez mais profunda. Não podemos, por exemplo, ter diálogos enriquecedores, se não existe a possibilidade de comunicar sentimentos.

Existem diversos níveis de comunicação entre as pessoas. Daí que possamos dizer que esta se aprende, passando de um nível menos perfeito para outro mais perfeito, até que aconteça comunhão fraterna. Aprendendo a comunicar, aprendemos simultaneamente a dialogar.

1.º nível de diálogo
O primeiro nível, o mais pobre na comunicação, pode chamar-se a conversa na incomunicação. É muito frequente quando pessoas desconhecidas se encontram casualmente numa sala de espera, num meio de transporte, numa festa, num elevador…

Alguém nos pergunta como estamos, mas não está nada interessado em que lhe expliquemos todos os nossos problemas. Quando dizemos que sentimos muito prazer em conhecer uma pessoa que encontrámos casualmente, muitas vezes dizemos isso só para acabar a conversa.

Este nível ainda não é propriamente diálogo, pois cada qual permanece fechado na sua concha, não arriscando a dizer a dizer a desconhecidos o que sente e pensa acerca das pessoas e dos acontecimentos.

2º nível de diálogo
O segundo nível vai mais além: já nos aventuramos a falar dos outros. A conversa tem como assunto algo que nada nos afecta pessoalmente: o tempo que faz, o desporto, os programas da televisão, o acontecimento mais recente…

As pessoas a este nível ainda não arriscam em revelar realmente o que sentem e pensam acerca das pessoas e dos acontecimentos. Não partilham nada do que é seu nem pedem nada aos outros. A este nível ainda não chegámos a um diálogo que é comunicação.

3.º nível de diálogo
O terceiro nível já é diálogo, pois acontece comunicação de pessoas interessadas em revelar as suas ideias e opiniões. As pessoas aceitam o desafio de comentar as suas ideias, de revelar o que pensam acerca dos assuntos em questão.

Enquanto a pessoa assume este risco de comunicar as suas ideias e opiniões, está atenta para ver se o outro as escuta. Basta que veja o outro a bocejar e a olhar para o relógio, percebe imediatamente que não vale a pena continuar. Refugia-se no silêncio e o diálogo acaba aqui.

O ideal é que cada qual esteja mesmo interessado em captar as ideias e opiniões do outro, para melhor conhecer essa pessoa.

4.º nível de diálogo
O nível seguinte vai mais além. Os dialogantes aceitam o desafio de partilhar os seus sentimentos. Não é fácil chegar a este nível, pois toda a gente tem receio em não ser entendida pelos outros.

O mundo dos sentimentos é um pouco complicado, devido à sua subjectividade. Mas é a comunicação destes sentimentos que melhor revela aos outros quem somos. É que os sentimentos são algo de muito pessoal, que diferem de pessoa a pessoa. Podemos pensar todos da mesma maneira acerca de um assunto, mas cada qual sente o assunto de forma diferente. Todos, por exemplo, concordamos que é bom ter amigos, mas a palavra amigo desperta em cada qual sentimentos diferentes consoante as experiências que teve ou tem.

5.º nível de diálogo
Um outro nível de comunicação consiste em cada um ser capaz de partilhar com o outro o que para ele é fundamental: as suas razões de viver. Conseguir cada qual partilhar que sentido dá ao seu viver, ao seu sofrer, ao seu amar, ao seu trabalhar, ao seu morrer. Comunicar ao outro o sentido que dá à sua vida. Os valores pelos quais luta, a fé que tem, a esperança que o anima, o amor que aquece o seu coração.

6.º nível de amizade
O último nível é um ideal a atingir. Trata-se de cada pessoa, permanecendo um ser pessoal e único, com a sua maneira própria de pensar e de sentir, se sentir tão solidário com o outro que forme com ele um “nós”. A isto podemos chamar comunhão fraterna, que fará de nós verdadeiramente pessoas humanas. De facto, seremos tanto mais pessoas humanas quanto mais formos capazes de formar com os outros “como que um só coração e uma só alma”.