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O CONSUMIDOR / CONTRIBUINTE
Sábado, Novembro 14, 2020

A propósito da nacionalização da TAP e do aumento da taxa de saneamento anunciada pela VIMÁGUA, impõe-se questionar se alguma empresa 100% pública, a funcionar com as regras do mercado, sobreviveria.

Toda a gente sabe que em Portugal é extremamente difícil gerir uma empresa que esteja numa faixa de mercado altamente concorrencial devido a muitas e muitos factores, dentre deles, um dos principais, o garrote tributário do Estado.

E se essa dificuldade de gestão existe para os privados, para as empresas com capital exclusivamente público, a desgraça é certa.

E quais os factores que distinguem negativamente as empresas públicas das privadas.

A primeira é que o gestor é nomeado pelo poder politico, por sua natureza efémero. Ao ser o poder politico a nomear, os critérios de nomeação, não são necessariamente de competência, dedicação e provas de manifesta honestidade. São critérios de confiança politica que implicam lealdade e objectivos de sectarização politica.

Quando os critérios de nomeação são estes, expressos ou subjacentes, a fiscalização da gestão e da sua responsabilização vai ser tudo abaixo de pouco.

Por outro lado, os funcionários apercebem-se de que a empresa é de todos e não é de ninguém e que basta um apoio politico tácito na altura das eleições para que a situação do trabalhador seja consolidada e bem vista. È a gestaão de carreira por ciclos políticos.

O empenho, a produtividade são relegados para um lugar subalterno.

Nas empresas públicas não existem despedimentos, ou se existem, dizem que são por motivos politico/partidário.

Nas empresas públicas, o ciclo eleitoral condiciona a tomada de decisões como foi o caso de uma Câmara Municipal que no ano das eleições “encostou” todos os processos de contra-ordenação.

Numa empresa pública um responsável mais exigente está condenado pelas intrigas e pela ameaça do ciclo eleitoral.

Numa empresa pública, a eficiência, a redução de custos, o aumento da produtividade, não é uma preocupação dos gestores quando podem definir unilateralmente o preço.

Na TAP, não podem impor unilateralmente o preço das viagens, não fazem reestruturações porque implica despedir coercivamente, a desgraça está à vista – custa, para já, via orçamento de estado, € 170,00 a cada português.

Na Vimágua, como podem impor o preço indo ao bolso dos cidadãos, a desgraça é dos Vimaranenses e dos Vizelenses.