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O Comércio não vai bem
Sexta-feira, Novembro 15, 2019

Na maioria das reuniões da Câmara Municipal deste mandato, tenho alertado e, acima de tudo, defendido que a autarquia deveria mudar radicalmente a sua estratégia ao nível da promoção do desenvolvimento económico do concelho.

Entendo que Guimarães tem duas marcas que jamais podem ser ignoradas pela autarquia: Guimarães Industrial e Guimarães Cultural. Defendo que é em torno destas duas marcas identitárias que o município deve centrar parte significativa do seu posicionamento estratégico. Se há áreas onde Guimarães se pode distinguir e destacar dos demais territórios, são estas duas: a Industrial e Cultural.

Há dias, numa reunião de Câmara, na sequência de mais uma intervenção que fiz sobre esta matéria, o Presidente da Câmara referiu que “o comércio não vai bem”. Ele tem razão. Mas isto dito por uma cidadão sem responsabilidades como as que tem um Presidente da Câmara, seria algo factual e meramente opinativo.

Tudo isto exige uma reflexão profunda. Por que está doente o comércio da cidade? O Partido Socialista governa o município há trinta anos. O que fez pelo comércio local?

Ao longo destas décadas, todos fomos dizendo que não havia resposta de estacionamento no centro da cidade. Há muito tempo que é defendido uma maior pedonalização das ruas centrais, devolvendo o espaço público aos peões e, acima de tudo, às dinâmicas do comércio.

Tantas vezes que discutimos a importância do mercado municipal estar no centro e não na periferia. Hoje, na maioria das cidades europeias, os mercados centrais são pontos estratégicos de passagem de turistas. Guimarães arrumou num “canto” o seu mercado com os efeitos que todos conhecemos.

Basta lembrar a programação de Natal do centro da cidade nos últimos dois anos para percebermos a importância que Guimarães dá a este momento de puro consumo e comparar com o que se faz noutras cidades. Há vilas no concelho com mais dinâmica que o centro da cidade.

No fundo, tal como na captação de novos projectos industriais, a Câmara Municipal demite-se literalmente de ser agente ativo nestas áreas.

Os resultados estão à vista. O comércio não está bem, encerra-se a principal associação comercial, as grandes empresas (como a Airbus) escolhem os concelhos vizinhos para se instalar e o importante, para a autarquia, é que todos sejamos eco-cidadãos. Sim é importante a consciência ambiental, mas não chega para sermos o concelho competitivo e com estratégia que outrora já fomos.