PUB
O assassinato de um aquista vimaranense, ocorrido nas Caldas das Taipas, há 182 anos (1838)
Quarta-feira, Dezembro 30, 2020

Na investigação que empreendemos aos registos de óbito da freguesia de São Tomé de Caldelas, nos séculos XVI a XIX, foi possível detetar, nas centenas de assentos, situações rotineiras, mas também inusitadas. A morte, enquanto fenómeno integrado no quotidiano, com incidência na preparação para o Além, permite-nos redescobrir a definição do local, as últimas disposições e os agentes envolvidos. O segundo enfoque incide na mortalidade, sobretudo a extraordinária, provocada por fatores externos a causas naturais, tais como afogamentos, acidentes com carros de bois, quedas de árvores, suicídios e assassinatos, etc. Nestas causas de falecimento, hoje trazemos à luz, uma morte por assassínio ocorrida em 1838.

No assento de óbito registado pelo pároco de São Tomé de Caldelas, Joaquim José Barbosa Machado, temos referência de que na noite de 18 para 19 de julho de 1838, foi assassinado Luís Domingos, de sobrenome o “pedreira”, natural da vila de Guimarães “estando nesta freguesia a tomar banhos”. No dia 20, da parte da tarde, foi conduzido à igreja paroquial de Caldelas, com acompanhamento de muito povo, sendo aí sepultado. Este assento de óbito não nos fornece dados sobre a circunstância em que ocorreu este crime, constituindo um testemunho escrito da violência existente na época.

Através deste e de outros registos paroquiais  conseguimos extrair dados importantes sobre a proveniência geográfica de muitos aquistas, que afluíam no século XIX às termas das Taipas, bem como episódios da vida quotidiana nomeadamente óbitos de banhistas, que faleceram enquanto se encontravam nesta povoação. Esta vítima natural de Guimarães, estaria nas Caldas das Taipas, a frequentar o estabelecimento termal, aberto entre os meses de maio a outubro. Não esqueçamos, que será a partir de 1818, a vereação da Câmara irá voltar a sua atenção para as precárias condições de utilização das nascentes termais nas Caldas das Taipas, realizando intervenções de vulto nos banhos e na zona envolvente, hoje denominados de “Banhos Velhos”.

No entanto, este não é o primeiro caso documentado de um assassinato nas Caldas das Taipas. Na nossa crónica de junho de 2019, subordinado ao título “Duas mortes por assassínio ocorridas nas Caldas das Taipas na 1ª metade do século XIX”, apresentamos o primeiro caso documentado de um assassinato nas Caldas das Taipas. Surge-nos a 15 de maio de 1838. Neste assento de óbito registado pelo pároco Joaquim José Barbosa Machado, temos notícia de que Custódio de Freitas, viúvo de Maria Josefa, morador no lugar do Souto, da freguesia de Caldelas, foi assassinado nos campos chamados “os casais do Souto”, da mesma freguesia, no dia 15 de maio. No dia seguinte foi sepultado no adro da igreja paroquial, tendo-se feito um ofício de corpo presente com a assistência de sete padres.