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O amor diviniza-nos
Sexta-feira, Dezembro 16, 2016

O Amor é que dá qualidade divina a todas as coisas, também nas nossas vidas. Deus conhece-nos, amando-nos. É este profundíssimo conhecimento que é o horizonte do nosso progresso: exercitar a mais sublime das ciências, que é a do Amor para com Deus e para com os nossos irmãos. No mistério da sua encarnação, Deus divinizou o nosso amor humano.

O mais excelente e sublime dos elogios que se podem fazer ao Amor é que o próprio Deus infinito, o Absoluto omnipotente, é o Amor total. Quando o apóstolo e evangelista S. João afirma repetidamente: «Deus é Amor» (1 Jo 4, 8.16), está a “canonizar” o Amor humano, elevando a nossa capacidade de amar às alturas do próprio Deus. Amar é o exercício da nossa divinização.

Ao sublinharmos que «Deus é Amor», poderá parecer que se trata de um dos muitos atributos de Deus, de mais uma nota positiva do Ser absoluto. Mas não. É que a sabedoria, o poder, a glória, a magnificência, a providência de Deus seriam não divinas se não fossem amorosas. O Amor é que dá qualidade divina a todas as coisas, também nas nossas vidas. Por isso afirma Varillon F.: «Deus não é senão amor». Tudo o que Deus é, tudo o que Deus sabe e quer, tudo o que Deus faz e pode é Amor.

Quem é que podemos considerar mais especialista no conhecimento de Deus? Qual o teólogo mais profundo? Quem alcançará o “recorde olímpico” na ciência de Deus? Exactamente aquele homem ou mulher que mais e melhor sabe amar. «Todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é Amor» (1 Jo 4, 8). Deus conhece-nos, amando-nos. É este profundíssimo conhecimento que é o horizonte do nosso progresso: exercitar a mais sublime das ciências, que é a do Amor para com Deus e para com os nossos irmãos.

O cristianismo resume-se num único preceito, o mandamento do amor, a Deus e ao próximo, numa dinâmica de plenitude, ou seja, com todo o coração, entendimento e forças, empenhando todas as nossas capacidades para amar (cf. Lc 10, 27). O próprio Filho de Deus, na plenitude dos tempos, «Jesus amou com um coração de homem», como afirma o Concílio Ecuménico Vaticano II (GS 22). Quer dizer que, no mistério da sua encarnação, Deus divinizou o nosso amor humano.

Tendo que pôr ponto final, constatamos que conseguimos dizer tão pouco e que ficou imenso por expressar. Sentimos o dever de pedir perdão ao Amor, a Virtude das virtudes, por a deixar tão mal parada. Sentimos que apenas conseguimos retratar a sua sombra, tão longe ficámos da realidade. Parece que somente pusemos a chave na entrada de um prédio imenso, o maior dos arranha-céus. Ficámos nos átrios do rés-do-chão de um elevador que nos conduz à profundidade da altura do coração do próprio Deus. Se a sombra do Amor é já uma maravilhosa obra de arte, o que não será o próprio Amor?

Estamos próximos da celebração do Natal, da vinda do Deus-Amor até nós. Lembremos sempre que é o Amor que dá qualidade divina a todas as coisas, também nas nossas vidas. Que o Natal possa ser todos os dias e para todas as pessoas. Santo e feliz Natal para todas e para todos.