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Nove meses: a minha experiência
Quinta-feira, Janeiro 14, 2016

Fátima Dinis
Médica Interna de MGF

Parece que foi ontem que o resultado tão aguardado apareceu, dois tracinhos cor-de-rosa naquele teste de gravidez, o que significava que estava grávida! Seria mesmo verdade? Parecia uma dádiva tão grande que o sentimento de felicidade extrema sentido é impossível de descrever! E de repente, num minuto, tudo ficou diferente: os pensamentos, as prioridades do dia-a-dia, a maneira de olhar o mundo, …

Mas já lá vão 38 semanas que passaram a voar!

Agendei de imediato a consulta com a minha Médica de Família. Já tinha realizado a consulta de pré-conceção, por isso já estava a realizar os suplementos aconselhados e a tomar as precauções necessárias por não se imune à toxoplasmose. No entanto, era importante repetir análises, fazer a ecografia do primeiro trimestre e ver se tudo estava bem comigo.

Estas consultas mantiveram-se até ao final da gravidez, aproximadamente uma por mês, exceto a partir das 36 semanas que passaram a ser quinzenais. Foram muito importantes para tirar dúvidas e ouvir conselhos acerca da melhor maneira de lidar com as mudanças que vão acontecendo com o nosso corpo. Mas o que mais gostava nestas consultas era de ouvir o coraçãozinho do meu bebé. Ouvir aquele bater rápido enchia-me o coração de paz, serenidade e felicidade.

Sabia que o primeiro trimestre de gravidez é muito incerto, por isso decidi dar a notícia apenas à família mais chegada até fazer a ecografia do 1º trimestre e ter a certeza que tudo estava a decorrer normalmente. Não foi fácil, a felicidade era tanta e tão espelhada no meu olhar que não sei como as pessoas não adivinhavam!

Para além de novos sentimentos, análises e idas ao Médico de Família, houvera outros sintomas que tornaram o dia-a-dia um pouco diferente. Uma das coisas foi o sono. Nunca tinha sentido tanto sono na minha vida! Era capaz de adormecer em cada canto a qualquer hora do dia, dormia horas seguidas e acordava com vontade de dormir. Manteve-se até às 20 semanas e depois, num piscar de olhos, desapareceu.

Não tive enjoos matinais nem vómitos, apenas uma má-disposição ao andar de carro, que facilmente se resolvia com o vidro aberto.

Tive também que aprender a viver com as tonturas. A tensão habitualmente baixa ficou ainda mais baixa com a gravidez, e por isso tinha de fazer os movimentos de levantar e deitar mais devagar e não conseguia ficar muito tempo em pé. Ajudou a existência de ar condicionado, tanto para as tonturas como para os “calores” que me acompanharam até ao fim da gravidez. Nesta altura, já novembro, quando todos andavam de casaco ainda eu usava roupas de verão.

Mais para o final da gravidez, surgiu a azia (que estava presente de dia e de noite) e a dificuldade na mobilidade.

Dito assim, parecem muitos “incómodos”, mas não foram! Facilmente encontrei modo de lidar com os sintomas que iam aparecendo. Como já disse, tudo tem uma importância diferente quando sabemos ter o nosso filho a crescer dentro de nós, e não há nada que abale a alegria que se sente.

Tentei manter toda a minha atividade semelhante ao que fazia antes de engravidar: a carga horária do trabalho manteve-se igual até às 35 semanas, porque me sentia perfeitamente bem; e não aumentei nem diminuí a atividade física até às 30 semanas. Depois disso, quando a mobilidade é mais difícil, passei a fazer apenas caminhadas. Mantive também a companhia dos meus dois gatos, com atenção às precauções e cuidados necessários.

Após as 35 semanas de gravidez frequentei as aulas de preparação para o parto, o que foi uma boa experiência, não só pela partilha de experiências e dúvidas de outras futuras mamãs, como pela informação transmitida. Levar o futuro papá como acompanhante foi muito positivo!

As últimas semanas demoram mais tempo a passar e surgem os medos e as angústias: “Será que é perfeitinho e tem saúde?”, “Será que vai tudo correr bem?”, “Será que vamos ser capazes?”, “Estamos preparados para a chegada do novo membro da família?”, … Mas é também nesta fase que se está a preparar a sua chegada: o quarto, as roupas, preparar a mala para a maternidade, … e é tão bom estar a fazê-lo!

Muita coisa boa vai ficar destes nove meses, mas o que mais saudade vai deixar é a satisfação de sentir o meu pequeno bebé a mexer e de o saber sempre comigo, em segurança!