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No trilho do “MAPa 2012”
Quinta-feira, Outubro 27, 2016

Foi com broa de milho e chouriço, que em reunião do executivo do mês de fevereiro de 2011, se apresentou e aprovou a criação da Divisão MAPa 2012.

Não obstante a data da formalidade, o início do projeto e seus trabalhos, foram bem anteriores, e já em 2009 ele era descrito como “um projeto municipal que desenvolverá atuações urbanísticas no concelho de Guimarães, valorizadoras do património paisagístico, cultural e arquitetónico, da mobilidade urbana e do ambiente”.

Nascido com o horizonte motivador da Capital Europeia da Cultura 2012 (CEC), teve por principal objetivo possibilitar a descentralização de investimentos para além do centro da cidade, pela identificação das potencialidades dos recursos patrimoniais, paisagísticos, culturais e naturais do concelho.

Foi essa a mensagem transmitida na sua apresentação, tendo sido bem acompanhada pela broa de milho e o chouriço, que simbolizaram o potencial dos produtos tradicionais na economia de pequena escala.

É, assim, evidente e notório o valor dos seus objetivos, mas o maior mérito deste projeto foi sem dúvida a sua metodologia: envolver os parceiros locais na identificação das potencialidades, e planear a sua execução em proximidade com os cidadãos, obtendo os seus contributos e comprometendo-os com o resultado final.

Um exemplo paradigmático da forma de trabalhar da equipa do MAPa 2012 foi a reabilitação dos edifícios do Bairro da Nossa Senhora da Conceição. Foi identificada a oportunidade da obra, que estava a cargo do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, e de forma criativa, com base em parcerias (Agatha Ruiz de la Prada, Dyrup) e envolvendo a população, nasceu e foi executado um projeto, que para além de orgulhar os moradores, foi exemplar em termos de mobilidade pedonal na requalificação do espaço público envolvente.

Mas o legado do MAPa 2012 é bem mais substancial, e são disso exemplo “O Último Moinho” em Moreira de Cónegos, “O Caminho da Cidade”, “A Rota da Água”, a rede de percursos MOb2012 ou o programa “O Lugar onde Vivemos”, para mencionar só alguns.

Notem que a escolha da palavra “legado” não foi por lapso, pois em boa verdade o MAPa 2012 já não está entre nós. Em 2013, logo em janeiro após a CEC, a Divisão MAPa 2012 foi integrada na Divisão do Centro Histórico, tendo sido esvaziada de técnicos e financiamento, pelo que definhou e morreu.

É certamente uma morte a lamentar, porque o MAPa 2012 é bem mais importante e abrangente do que aquilo que fui capaz de partilhar neste artigo, e porque o trilho que lhe foi destinado ainda está por percorrer.

Quero o MAPa 2012 de volta! Mas alarguemos o horizonte, chamem-lhe MAPa 2050.