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Notas Verdes de Guimarães
Quinta-feira, Julho 12, 2018

Não, não é dinheiro! Sei bem que em Guimarães “somos únicos”, mas ainda não cunhamos a nossa própria moeda, sendo uma das poucas coisas no município que ainda não é verde.

As notas verdes de Guimarães que dão o título a este artigo são apontamentos sobre questões ambientais cá da terra que quero partilhar neste espaço.

1. Comissão Especializada de Acompanhamento da Candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia 2020
No regimento da Assembleia Municipal (AM) de Guimarães está previsto a criação de algumas Comissões Especializadas (CE), entre as quais a do Urbanismo e Ambiente, mas apesar da importância declarada que o município atribui a estas áreas, a AM não ativou a CE, tendo optado por uma comissão temporária dedicada à candidatura à Capital Verde Europeia (CVE), refletindo a posição do executivo que vai confundindo o Ambiente com a candidatura à CVE.

Notem que estas comissões, ainda que não tenham poder deliberativo e se limitem a dar pareceres, são o único órgão municipal onde o PS não tem a maioria que dita a sua vontade, e veta a de todos os outros. Ainda assim é uma boa notícia, até porque já foi anunciada a auscultação de diversas entidades envolvidas na candidatura e nas questões ambientais do concelho.

2. Terrenos do Cavalinho
Publicitado como para “impedir a construção em altura”, a CMG diz-se disposta a comprar os terrenos do Cavalinho (junto estação da CP) por dois milhões e meio de euros. Não existe um Plano Diretor Municipal que impõe limites nos índices de construção e cércea dos edifícios? Sim existe! O que este caso vem expor é que o planeamento urbanístico em Guimarães nem sempre foi bem feito, como também o demostra o prédio que está a nascer no alinhamento visual da Pousada de Santa Marinha da Costa. Este caso também mostra que o PDM, apesar de ter sido revisto recentemente, está desadequado com os paradigmas ambientais que agora norteiam as políticas do município.

3. Plano Municipal Mobilidade Sustentável
Este plano já teve a sua “discussão pública” anunciada para fevereiro e março, mas estamos em junho e continuamos a “fazer de conta”. Entretanto foi encomendado mais um estudo sobre os transportes públicos do concelho.

4. 
Não teve direito a nenhum comunicado de gabinete de imprensa, mas apesar da “forte consciência ambiental” que se diz existir no seio da CMG, as muralhas da Avenida Alberto Sampaio foram alvo de um atentado ambiental por parte de funcionários camarários. Alguém resolveu “limpar” as ervas da muralha (que até são verdes), em plena época de nidificação dos Andorilhões. A operação foi interrompida pela participação do caso à polícia, e uma queixa foi apresentada junto do SEPNA.