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A nossa estação dos correios
Quarta-feira, Fevereiro 7, 2018

As Caldas das Taipas como terra trimilenar, pela sua ligação aos povos celtas da Citânia de Briteiros e ao povo brácaro do Castro de Sabroso, sitios arqueológicos que são Monumentos Nacionais, bimilenar pela civilização romana, donde são expressão as ruínas dos banhos termais, a par dos dois Marcos Miliários, que também são Monumentos Nacionais, e que servem para medir as distâncias, orientar os passantes, os andarilhos, os mensageiros, os condutores das malas postais, os carteiros. Aqui havia uma estação de muda.

Mais tarde, muito mais tarde, as Caldas das Taipas, pela sua grande expressão comercial e industrial, onde pontifica a cutelaria, a termal e a hoteleira, pela enorme população residente. No ano de 1864, nas freguesias que a servem, tem 10.770 pessoas, corresponde a 26% de todo o concelho de Guimarães, sendo que na época do veraneio, de Junho a Setembro, a população da freguesia da paróquia de Caldelas que é de 784 residentes permanentes, mais que duplica. Desde a primeira Reforma Postal, de 27-10-1852 possui uma estação de correios adstrita com Guimarães e Caldas de Vizela, subordinada à Administração Central do Correio do Porto, e oblitera com a numeração 61 no meio de barras. Quando da segunda Reforma Postal, a 12-11-1860, passa a marcar com o número 58 no meio de barras.

O correio que serve Caldas das Taipas, a partir da segunda metade do século XVII, é transportado, como em todas as outras localidades a pé, a cavalo e por muares. O correio de Lisboa demora 22 dias a chegar.

Já no primeiro quarteirão do século XIX, o serviço é feito nos seis dias da semana. O correio de longe chega às segundas e quintas feiras de manhã, e parte nos mesmos dias à tarde.

No terceiro quarteirão, já o serviço de Lisboa e para Lisboa se faz três vezes por semana – às segundas, quartas e sábados.

No princípio do segundo quarteirão, em 1851, a Companhia de Viação Portuense, propriedade do barão de Masarelos, amigo da família taipense Duarte Silva, que fundara cem anos antes as fábricas de Porcelanas de Massarelos, obtém a concessão dos transportes públicos entre Braga e Guimarães. Em contrapartida, acaba a construção da estrada real Braga a Guimarães. É o tempo das diligências que transportam pessoas, mercadorias e o correio, bem expresso na fotografia que dei à estampa, quando da abertura do meu primeiro gabinete de contabilidade e seguros, no calendário de bolso para o ano de 1988, mostrando a diligência a carregar junto do chafariz do Largo.

No ano de 1861, começa a funcionar a linha telegráfica entre Braga e Guimarães, com apenas um fio.

Em 28-04-1862, o fio do telégrafo é cortado em três sítios diferentes, para impedir as comunicações. Os sinos tocam a reunir, nas Caldas das Taipas. O povo vem de todas as aldeias rurais e reúne-se nas Caldas das Taipas. Centenas de homens, armados com os instrumentos da faina dos campos – chuços, foiçes roçadoiras, varapaus e caçadeiras; invadem a sede do concelho, obrigando o sineiro da Igreja de São Pedro do Toural a tocar a rebate. Grita-se nas ruas contra o Escrivão e contra o Ministério do Marquês de Loulé. Davam vivas ao rei novo, o Rei D. Luís I. Assaltam a repartição da fazenda, destroem as matrizes dos impostos, queimando-as no Largo de São Francisco. O chefe da fazenda foge para Braga. O povo, em fúria, captura o substituto do administrador do concelho. Arrombam a porta da Câmara e destroem os pesos e medidas, lançando a um poço os padrões do sistema métrico. Estavam contra o jugo pesado dos tributos e a tabuada dos compadrios. À cabeça dos revoltosos, um comandante guerrilheiro, José Soares Leite, o Padre José da Lage, ou simplesmente o Padre José das Taipas.

Em 01-06-1878 é inaugurado o telégrafo nas Caldas das Taipas, trabalhando apenas na estação balnear.

Em 06-05-1903, o vereador António da Silva Carvalho Salgado propõe ao governo da Sua Majestade, para a estação, thelégrapho postal de Caldas das Taipas, que sejam adoptados os melhoramentos indispensáveis há muito reclamados pelo público, como seja mau serviço de molas caricas combulantes, para o primeiro comboio da manhã – de Guimarães, conduzindo de Caldas das Taipas as correspondências depositadas à tarde e à noite, trazendo no regresso as que tiverem sido depositadas às mesmas horas no correio geral, serviço este que se torna de grande utilidade, principalmente nas épocas Thermais.

Em 02-02-1917, António José Carvalho da Silva Mendes, Chefe da Estação Telégrafo-postal de Caldas das Taipas, requer ao Excelentíssimo Ministro do Trabalho a promoção da estação desta povoação a terceira classe, atendendo ao grande movimento.

A 26-03-1919, o Vice-Presidente da Comissão Administrativa da Câmara, o grande taipense, Dr. Alfredo Fernandes, apresenta uma proposta, que visa melhorar e alargar as comunicações do telégrafo, e a instalação de rede telefónica.

No dia 01-11-1923, em frente ao edifício das Termas é colocado um marco postal. Um simples marco postal nesta ridente povoação marca um passo dado para o seu modernismo. Nós conhecemos algumas vilas do Sul e do Norte do país que só teem as velhas caixas de correio. A povoação de Caldas das Taipas acaba de ser dotada com um marco postal. Isto parecendo que não é nada representa muito, pois já dá ares duma terra que faz por se engrandecer e que, como muitas outras assim pequenas, tem o anseio de caminhar depressa para o progresso.

Finalmente no dia 13-11-1926, o Chefe da Estação do Correio e Telégrafo abre ao serviço público a cabine telefónica de Caldas das Taipas.

A 10-09-1930, o Chefe dos Serviços dos Correios, Telégrafos e Telefones do Distrito de Braga, participa que, em virtude da actual proprietária do edifício, em que se acha instalada a Estação Telégrafo-Postal e Telefónica de Caldas das Taipas, se recusar a assinar um novo contrato de arrendamento, com o fim de obter a elevação da renda de 17$50 para 90$00 mensais, com ameaça de despejo. A administração prevê a hipótese de ter de abandonar o referido edifício, e encarrega a Repartição Superior Competente para propor, depois de ter acordado com as Termas de Caldas das Taipas, que para isso se prontifica a ceder o terreno necessário, em que a Câmara e a Comissão de Iniciativa da Estância Termal de Caldas das Taipas (Turismo), para nele construir um edifício destinado a este fim. Disso ficou encarregado o vereador taipense Joaquim da Silva Ferreira Monteiro.

No dia 02-04-1932, o Grupo Columbófilo das Taipas solicita à Junta de Turismo de Caldas das Taipas um subsídio destinado a constituir um prémio, que será conferido ao proprietário do pombo-correio, que também serve para levar comunicações e correspondência, àquele que menos tempo gaste em todos os concursos da próxima campanha. É concedida, para este efeito, a quantia de 100$00.

Em 15-06-1932, o Presidente da Junta de Freguesia de Caldelas solicita à Administração Geral dos Correios e Telégrafos a substituição da caixa do correio da Avenida da República, por marco postal.

No dia 23-07-1932, o Chefe dos Serviços dos Correios e Telégrafos do Distrito de Braga, agradece a oferta do terreno necessário para a construção do edifício destinado a Estação Telégrafo-postal de Caldas das Taipas e pede o levantamento da respectiva planta.

A 26-11-1933, a nova estaçãoTelégrafo-Postal fica instalada no rés-do-chão do prédio onde outrora funcionara o Hotel Braga sito à Rua 31 de Janeiro, abandonando o edifício propriedade de Guido Frederico Von Doellinger, resolvida assim a contenda da casa do correio.

No dia 15-12-1938, a Junta de Turismo de Caldas das Taipas agradece ao Director dos Correios, Telégrafos e Telefones o interesse que lhe tem merecido a Estação de Caldas das Taipas e solicita a substituição da cabine do público n.º 3, por uma dos modelos ultimamente adoptados.

A 16-03-1944 – A Junta de Turismo de Caldas das Taipas, solicita ao Director dos Correios, Telégrafos e Telefones do Distrito, a instalação dum telefone na sede da Junta de Turismo.

No dia 02-12-1949, a Junta de Freguesia de Caldelas oficia à Administração Geral dos Correios e Telégrafos a sua desistência da linha exterior dos alto-falantes, ao longo da vila, cessando assim o pagamento da taxa anual a que estava sujeita.

Em 12-01-1954, a Junta de Freguesia de Caldelas propõe cinco novos nomes para ruas, que vieram todos a serem aprovados, para assim facilitar a distribuição postal.

Em Novembro de 1964, é inaugurada pelo Correio-Mor, a nova e actual estação dos C.T.T., obra construída para esse fim por Maria Helena Saraiva Antunes Monteiro, funcionando o posto no rés-do- chão e no andar a habitação da sua chefe.

A 28-11-1980, em sessão da Assembleia de Freguesia de Caldelas, alguns dos presentes puseram em questão a distribuição do correio em determinados lugares.

A 05-09-1981, por deliberação da Assembleia de Freguesia de Caldelas e proposto por associações locais, são aprovados e acrescentados oito novos nomes para artérias da vila, a pedido do Instituto Nacional de Estatísticas, assim contemplando também os anseios dos correios, que são quem mais beneficia desta actualização toponímica.

No dia 05-06-1985, em sessão da Assembleia de Freguesia de Caldelas, Luís Veloso de Abreu refere os problemas de distribuição do correio, na sua zona da Faísca.

Em 26-09-1986, por deliberação da Assembleia de Freguesia de Caldelas, acerca da criação do concelho de Caldas das Taipas, de que se aguardam respostas de diversas entidades, ao pedido de informações efectuado pela Junta, para a elaboração do estudo e da proposta a apresentar à Assembleia da República; através de contactos estabelecidos com a Direcção Geral de Correios do Norte, torna-se possível a criação de um Código Postal para as Caldas das Taipas.

No dia 29-04-1988, em sessão da Assembleia de Freguesia de Caldelas, toma-se conhecimento que a Junta da Freguesia efectuou contactos com a Direcção de Correios, tendo em vista o melhoramento dos serviços da Estação de Caldas das Taipas e a criação do Código Postal.

No dia 30-04-1993, presido à comissão criada em Assembleia de Freguesia, que revoluciona a toponímica da vila de Caldas das Taipas, mantendo todos os nomes existentes, substituindo o nome Lugar e de Viela pelo de Avenida, Rua e Calçada. Regula e delimita as cem artérias, com inclusão de novos topónimos, com alusão ferverosa aos nomes de antanho, criando desta forma a melhor farramenta para um boa distribuição de correio domiciliário.

As placas toponímicas são substituídas pelas do modelo ainda em uso, e nelas figura o brasão da freguesia que fora aprovado pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, em 12-07-1993, em processo administrativo que conduzi, a par do da bandeira e selo branco.

No dia 12-12-1994, em sessão da Assembleia de Freguesia de Caldelas, Manuel de Sousa Marques sensibiliza a Junta para a criação de mais alguns serviços públicos nas Taipas, lembrando que o nome de Caldas das Taipas está a desaparecer em favor do nome Caldelas e Manuel António Freitas da Silva Ribeiro fala da criação de um código postal próprio.

A 27-06-1995, é inaugurada a Estação dos Correios modernizada com novo mobiliário e equipamento, com prestação de novos serviços.

Em 29-09-1995, na sessão da Assembleia de Freguesia de Caldelas, António Joaquim Azevedo de Oliveira refere que o actual código postal é uma aberração, acrescentando por falar no reflexo na assembleia, que a função do mesmo é ser incomodativo.

A 13-07-2000, na Assembleia de Freguesia de Caldelas, António de Almeida Pereira pede a colocação de placas toponímicas ainda em falta, por causa da distribuição do correio.

A 22-07-2003, peço ao presidente do Conselho de Administração dos Correios de Portugal, SA aquando da atribuição do Código Postal próprio, o 4805, a criação dum Centro de Distribuição Postal específico, a par do de Guimarães, dado que os correios possuem, a servir a região de Caldas das Taipas, 14 carteiros, mais que os 12 necessários para se constituir um centro distribuidor, já a 18-01-2003 tinha requerido à Junta de Freguesia de Caldelas para o fazer àquele conselho de administração. 

No Outono do ano de 2005, na rua e em minha casa, faço para o deputado da Assembleia de Freguesia Manuel Marques Silva, que pertence a uma comissão nomeada que, encontrando-se paralisada, este pretende implementar socorrendo-se por isso dos meus serviços. Elaboro a revisão toponímica conducente à atribuição de novos nomes às novas artérias, que, entre outros topónimos, ponficam escritores e políticos da administração local, que exaltaram a vila e as freguesias das redondezas que a envergam, bem como industriais que na economia muito desenvolveram a localidade. É aprovada em sede de Junta de Freguesia em 21-12-2005 e ratificada em sessão de Assembeia de Fregueaia em 28-12-2005, a atribuição de 32 novos nomes mapeados e com a história alusiva a cada entronizado, contribuindo desta forma para a melhoria da acessibilidade, designadamente da postal.