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Nicolinas + Natal
Quinta-feira, Dezembro 8, 2016

Entramos perto do final do ano, período marcado pelas celebrações natalícias.

Em Guimarães, o início de Dezembro é marcado também e de modo muito intenso, pelas Festas Nicolinas. Curiosamente, ambas (Nicolinas e Natal) assentes no mesmo protagonista: São Nicolau de Mira. Seja como Pai Natal, no formato mais comercial criado pela marca Coca-Cola que nos trouxe até hoje a imagem que dele guardamos, seja com a imagem mais fidedigna, mais religiosa, do São Nicolau cultuado pelos estudantes de Guimarães, em ambos os casos é este santo o protagonista. De tal forma que, em alguns países da Europa central (como a Holanda, por ex.), o dia de troca de presentes, ao invés do dia 25 de Dezembro (dia do nascimento de Jesus Cristo) é o dia 6 de Dezembro, dia de São Nicolau.

As Nicolinas fizeram-se como sempre, com o vigor de sempre, com o envolvimento de sempre.

Indiferentes, aliás completamente indiferentes, à circunstância de se saber que 11 anos depois da aprovação por unanimidade em Assembleia Municipal de uma moção que solicitava à Câmara que desse seguimento à candidatura das Festas Nicolinas a Património Cultural Imaterial da Humanidade, a Câmara ainda nem a inscrição no Inventário Nacional havia feito. Indiferentes à circunstância de se ter sabido que apesar de a Câmara ter este impulso formal há mais de uma década, conseguiu inscrever no Inventário Nacional a tradição da confeção das Passarinhas e dos Sardões de Santa Luzia em 2015, antes mesmo de o ter feito com a festa Nicolina. Indiferentes a ter-se sabido que, em pleno decurso das festas, mais duas realidades imateriais nacionais atingiram o estatuto de Património Cultural Imaterial: a Olaria Bisalhães e a Falcoaria. Enquanto as Nicolinas aguardam por melhores dias.

Mas as Nicolinas são indiferentes a tudo isso porque não precisam, como nunca precisaram, de qualquer estatuto para serem vividas e vivenciadas pelos vimaranenses. Porque as Nicolinas não precisam de reconhecimento algum porque já têm estatuto suficiente para serem o orgulho de todos nós. Porque verdadeiramente é muito mais a Guimarães, do que às Nicolinas, que importa o reconhecimento como Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Terminam as Nicolinas e começa o Natal.

Aqui em Guimarães, cruzamo-nos novamente com o São Nicolau, mas agora com vestes mais avermelhadas.

Há um ano atrás, escrevi nestas linhas que mais do que escrever sobre os valores mais em presença nesta época do ano, “prefiro escrever sobre a ausência deles no resto do ano. Ou sobre como a apologia de determinados valores nesta época de nada vale se o período restante não for imbuído do mesmo espírito”.

Mensagem que se mantém e queria reforçar.

Porque, de nada serve ajudarmos instituições sociais nesta altura se não o fizermos o resto do ano. De nada serve estarmos preocupados com os mais desfavorecidos nesta época se o não fizermos o resto do ano. De nada serve gostarmos de reunir a família nesta altura se nada fizermos para que isso suceda o resto do ano. De nada serve, no fundo, estarmos imbuídos de sentimentos altruístas, gostarmos de dar presentes, de agradar a alguém, se essa preocupação não se mantiver o resto do ano.

Desejo por isso a todos umas boas festas e um excelente 2017, reiterando votos que se mantêm atuais.

Que atinjamos os nossos objetivos. Que prossigamos nos nossos caminhos. Que ainda que não os alcancemos não desistamos nunca de perseguir os nossos sonho. Que queiramos fazer bem e que queiramos fazer o bem. Porque fazendo o bem, tornamos o Mundo um lugar melhor.