Músicos da banda das Taipas destacam-se em concursos internacionais
Músicos da banda das Taipas destacam-se em concursos internacionais
Paulo Dumas
Terça-feira, Maio 15, 2018

Três instrumentistas que integram a Banda Musical de Caldas das Taipas participaram recentemente em dois concursos internacionais. Um em Paris, decorrido em janeiro e, em abril, o Terras de La Selette, em Oliveira de Azeméis.

Os primeiros sons dos instrumentos começam a ouvir-se logo que se entra na Praceta da Casa da Música, nas Caldas das Taipas. É lá, na sede da Banda Musical de Caldas das Taipas, que nos aguardam a Anita Oliveira e o Sérgio Silva (na  foto em destaque). Estes dois, juntamente com a Bárbara Lopes, que não pode estar por motivo de agenda, mas a quem enviamos algumas perguntas por email, destacaram-se recentemente em concursos internacionais.

A Anita Oliveira, 17 anos, toca saxofone na banda, participou no concurso internacional com o nome do inventor do saxofone – Adolphe Sax, em Paris, no final no mês de janeiro último. Ficou em primeiro lugar na sua categoria, interpretando “Histoires: La Meneuse de tortues d’Or et Le petit âne blanc”, de Jacques Ibert. A Anita sempre gostou de música, tendo começado por tocar bateria aos 11 anos, depois de o pai lhe ter oferecido uma. Por influência da mãe, aprendeu também a tocar guitarra e a aprender teoria musical.

Foi o seu professor de saxofone, Luís Ribeiro, que sugeriu que Anita e um colega se inscrevessem no concurso. Seguiu-se um período de preparação que a levou a arrecadar o primeiro prémio. A experiência de participar no evento internacional foi nova para Anita, que exigiu bastante preparação. A saxofonista taipense salienta sobretudo a experiência e não tinha expetativa de ganhar o prémio.

O Sérgio Silva, 12 anos e a Bárbara Lopes, de 20, são os dois outros músicos que se destacaram no início do mês de abril, como participantes do Concurso Internacional de Instrumentos de Sopro Terras de La Salette. Bárbara conseguiu uma Menção Honrosa com o seu fagote, na categoria sénior deste concurso. O Sérgio conseguiu o segundo lugar, na prova de trompete que é, como nos diz, o seu “instrumento de paixão”.

O Sérgio começou a estudar música aos sete anos, depois de ter participado num workshop da Academia de Música Fernando Matos, da Banda Musical de Caldas das Taipas. O seu pai ainda lhe perguntou se queria ir para as escolinhas do Vitória SC, mas o Sérgio optou pela música. Percebeu desde cedo que gostava de escrever música e de cantar, o que ainda hoje faz. O aparecimento da academia foi uma oportunidade para estudar música, refere.

Bárbara Lopes considera que o concurso Terras de La Salette é um dos mais importantes concursos de instrumentos de sopro do país. É dos mais reconhecidos a nível nacional, a seguir ao Prémio Jovens Músicos.

Bárbara percebeu desde cedo o seu gosto pela aprendizagem da música e logo aos seis anos entrou para o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. Ficou encantada com o fagote, apesar de não ter sido escolha sua. Conheceu a Banda das Taipas quando estava na universidade, através de uma colega em Aveiro, onde estuda Música no terceiro ano.

A banda é um veículo de progressão na aprendizagem da música

Para os três músicos, é muito importante o facto de estarem na banda. A Anita salienta que a banda é importante porque a dada altura entendeu que era uma forma de poder evoluir a nível musical – “é um meio musical muito bom para podermos trabalhar o instrumento, além de ser um excelente meio de convívio. Sinto-me muito bem na Banda das Taipas” – diz-nos.

A Bárbara destaca o papel das bandas filarmónicas com sendo um marco da tradição e cultura portuguesa. Acrescenta que a nível pessoal aprecia o facto de terem um papel fundamental na aprendizagem de muitos músicos.

O trompetista Sérgio Silva considera ser um privilégio estar numa banda musical. Foi através do atual maestro que o Sérgio passou a integrar os ensaios da banda.

Hoje, a banda é para estes jovens um importante ponto de encontro de amigos, onde lhes é permitido aprender em conjunto. Para estes jovens músicos é um motivo de orgulho fazer parte de uma instituição com um longo historial. Gostam muito do momento atual que a banda está a atravessar, atravessado um período de algumas indefinições, referem.

Este texto foi otiginalmente publicado na edição de maio do jornal Reflexo, onde poderá ser lido na íntegra.