PUB
Mulher assassinada tinha o sonho de voltar para o Brasil
Mulher assassinada tinha o sonho de voltar para o Brasil
Sexta-feira, Dezembro 16, 2016

No início do mês de Março último, Poliana Alves Ribeiro acabaria assassinada, num lugar onde a prostituição era prática corrente. O julgamento corre actualmente no Tribunal de Instância Central de Guimarães. Os sonhos de Poliana já ninguém os devolve.

Poliana Alves Ribeiro, a mulher assassinada na madrugada de 5 de março deste ano, num prédio da Rua da Caldeiroa, tido como um local de prática de prostituição, tinha o sonho de regressar ao Brasil. O julgamento do suspeito de homicídio simples começou esta quarta-feira, no Tribunal de Instância Central de Guimarães.

Poliana deixou dois filhos menores, um rapaz com 15 anos, “que está muito revoltado e que não fala sobre o assunto”, e uma menina, de apenas quatro anos, que pergunta regularmente pela mãe aos familiares e vizinhos. Foram esses os testemunhos deixados pelo viúvo e pelo sogro da vítima, assim como por uma amiga de Poliana, que revelou que a mulher sofria de alguma “ansiedade e angústia” por querer regressar ao Brasil.

Carlos Jorge Ribeiro, viúvo de Poliana, constituiu-se assistente no processo que decorre contra Miguel Martins, o suspeito de ter assassinado a mulher, na noite de 5 de março, e, juntamente com a filha, pede uma indemnização de cerca de 435 mil euros. O filho mais velho de Poliana, à data do pedido de indemnização, não tinha representante legal, por isso não está abrangido por este procedimento.

Defesa pede perícia às mãos do arguido
A defesa do arguido pediu uma perícia para averiguar a força média e a força máxima de preensão aplicadas pelo indivíduo. O objetivo é perceber se Miguel Martins teria força suficiente para asfixiar a vítima, segurando o pescoço com a mão esquerda e condicionando-lhe as vias respiratórias com uma almofada. Pelo menos é esta a tese que está na acusação do Ministério Público. O pedreiro de 36 anos está acusado de homicídio simples, que tem uma moldura penal entre os oito e os 16 anos de prisão.

Ainda segundo a acusação, o arguido conheceu a vítima em 2015, no estabelecimento da Caldeiroa. Nessa altura, manteve relações sexuais com a vítima, na qualidade cliente e, a partir daí, apaixonou-se por ela. Iniciou um relacionamento amoroso com a vítima e queria viver com ela, tendo mesmo a intenção de a retirar da prostituição. Esta versão foi confirmada pelo cunhado do arguido, Henrique Miguel Freitas. Na madrugada de 05 de março, no quarto que o arguido ocupava naquela pensão, a mulher ter-lhe-á dito que não queria mais um relacionamento amoroso “duradouro e com futuro”, mas apenas uma “relação colorida”.

De acordo com o Ministério Público, o arguido apertou o pescoço à vítima e tapou-lhe a cara com uma almofada, para que a impedir de gritar. Uma situação que durou “alguns minutos”, até Poliana morrer. Depois, o arguido foi tomar banho, deambulou algumas horas pela cidade e telefonou a duas pessoas dando conta que tinha feito “uma asneira”. Entregou-se na PSP às 10h20 desse dia.

Na sessão de ontem, 14, o tribunal ouviu a perita do Instituto Nacional de Medicina Legal de Guimarães que fez a autópsia ao cadáver da vítima e que afirmou que “tudo indica” que a morte tenha ocorrido por asfixia. Mas ressalvou que a asfixia pode ter várias causas, sendo que “não é de excluir a hipótese de esganadura”, embora não seja tecnicamente possível confirmá-la. A vítima apresentava duas lesões traumáticas no lado esquerdo do pescoço mas Katerina Puentes, responsável pela autopsia e testemunha no processo, disse que não era possível determinar em que altura é que essas lesões ocorreram.

A estratégia da defesa passa por assinalar que a mulher já sofria de problemas sobretudo de foro neurológico e que a morte pode ter ocorrido de causas naturais.