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Morte por afogamento de dois soldados nas Caldas das Taipas (1818)
Quinta-feira, Setembro 10, 2020

Ao desenvolvermos a nossa pesquisa no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta (Guimarães), nos últimos vinte anos, com vista ao estudo da História de Arte vimaranense nos séculos XVI a XVIII, compulsámos documentação, que julgamos de interesse para a história das Caldas das Taipas.

Nesta mesma crónica de História Local, em outubro de 2016, já nos referimos a um afogamento ocorrido no rio Febras, afluente do rio Ave, em São Cláudio de Barco, em 1802. Tratou-se da morte por afogamento de Francisco Touçada, natural do Reino da Galiza, assistente na casa de Manuel Marques, do lugar da Lameira, da freguesia de São Tomé de Caldelas. Segundo o registo de óbito redigido pelo vigário Custódio José Fernandes Borges, temos conhecimento de que Francisco Touçada aparecera afogado no rio Febras, em São Cláudio de Barco, a 16 de junho de 1802. No dia seguinte, foi sepultado no adro da igreja de São Tomé de Caldelas.

Hoje trazemos à luz outro manuscrito paroquial inédito, referente à morte também por afogamento de dois soldados no rio Ave, nas Caldas das Taipas. Trata-se de um registo óbito, datado de 29 de julho de 1818, redigido pelo pároco da freguesia de São Tomé de Caldelas, Custódio José Fernandes de Borges. Este documento paroquial refere, que no dia 28 desse mesmo mês, afogaram-se no rio Ave, contíguo a esta freguesia, dois soldados, a saber: José Maria da Costa, natural da freguesia de Fafe, concelho de Montelongo, da Companhia oitava; e José, filho de Francisco José, da freguesia de Atães, do termo de Guimarães, da sexta Companhia, número 15. Devido à morte repentina e inesperada destes dois militares, estes faleceram sem o sacramento da confissão e da extrema-unção, sendo sepultados no dia seguinte, no adro da Igreja Paroquial de São Tomé de Caldelas.

Infelizmente, este assento de óbito é muito parco em informações: por exemplo, não temos informes sobre pormenores como ocorreram as mortes destes dois soldados. Um dado é certo: ambos morreram por afogamento na mesma altura, sendo registrados os seus óbitos num único registo.

As mortes destes dois soldados no rio Ave, há 202 anos, são até ao momento, o mais antigo caso documentado de um afogamento neste curso de água, nas Caldas das Taipas.