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“Montanha-Russa” transpõe para o palco as vibrações da adolescência
“Montanha-Russa” transpõe para o palco as vibrações da adolescência
© Miguel Manso
Quinta-feira, Janeiro 17, 2019

Após um período de recolha, a partir de entrevistas e da leitura de diários de adolescentes, Inês Barahona e Miguel Fragata construíram a peça que subirá ao palco do CCVF. A pesquisa deu origem a um filme que também será exibido durante o fim de semana.

Foi a partir de textos escritos por jovens adolescentes, entre os anos 1970 e 2000, que foi construído o espetáculo “Montanha-Russa”, que juntará representação teatral e música no palco do Centro Cultural Vila Flor. São duas as sessões programadas – sexta 18, às 15h00 e sábado 19, às 19h00.

“Montanha-Russa” é descrito como “uma metáfora da adolescência” numa estrutura que desafia os cânones do “teatro musical”. Os documentos, nomeadamente cadernos escritos ou transcrições de blogs ou de posts no Facebook, foram a matéria prima para a construção deste espetáculo e também para “Canção a Meio” – o documentário realizado por Maria Remédio, que será exibido às 17 horas de sábado.

Escrito por Miguel Fragata e Inês Barahona, da companhia Formiga Atómica, o espetáculo é uma imersão aos tempos da adolescência, uma apneia feita com base na recolha dos argumentos retirados das visões adolescentes. Trata-se, por isso, de uma parábola construída com base em dimensões que são ora íntimas e privadas, ora exibicionistas.

O autor explica que nesse processo de recolha, foi notória a mudança de paradigma do registo da adolescência, que mudou muito com o passar das décadas – de apontamentos escritos, eminentemente privados, que eram prática antes da revolução tecnológica do início do milénio, até à exposição ostensiva dos primeiros blogs e mais recentemente das redes sociais.

Miguel Fragata, em conversa com o Reflexo, explica que a ideia inicial para este espetáculo partiu de um outro anterior – “The Wall”,  onde havia um barreira que dividia adultos e crianças, onde não existia um espaço próprio para os adolescentes e estes tinham de escolher o seu lado. Desde aí que surgiu a vontade de trabalhar o tema da adolescência.

Será essa vibração e essa tensão, típicas dos tempos da adolescência, tenha sido ela vivida nos anos 1970 ou no início do milénio, que será transposta para o palco do Centro Cultural Vila Flor. Ao longo de mais de um ano, os autores tentaram provocar as respostas que pontuam as vidas e visões do mundo.

O ponto de partida não foi o das reminiscências da adolescência dos próprios autores, que decidiram antes ir ao encontro da adolescência alheia, através de um conjunto de atividades que foram desenvolvidas desde que começaram a trabalhar no projeto, fruto de um convite formulado pelo Teatro Nacional D. Maria II.

Em palco são transpostas as questões, os gostos, os receios não de uma só geração. A preocupação dos autores foi fazer o corte transversal sobre várias gerações, no tempo em que os seus sujeitos foram adolescentes. As várias gerações congregam-se em palco e são representadas pelos vários atores.

A encenação disputa o tempo e o espaço do palco com a música criada por Hélder Gonçalves e Manuela Azevedo, músicos da formação dos Clã, a quem se juntam Miguel Ferreira (também dos Clã) e Nuno Rafael (Despe e Siga, Humanos, Sérgio Godinho) para tocar a música ao vivo.

Com encenação de Miguel Fragata, que assume também a responsabilidade do texto e letras com Inês Barahona, e música original de Hélder Gonçalves, esta Montanha-Russa conta com interpretação de Anabela Almeida, Bernardo Lobo Faria, Carla Galvão, Miguel Fragata.