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Modelo seguido na Plataforma das Artes será alvo de reflexão
Modelo seguido na Plataforma das Artes será alvo de reflexão
Alfredo Oliveira
Sábado, Setembro 8, 2018

Domingos Bragança reconheceu publicamente que a estratégia seguida na Plataforma das Artes não tem apresentado os resultados esperados, “não tivemos sucesso com o modelo seguido”, foi a frase que marcou a última reunião de Câmara de 6 de setembro.

Não é frequente o poder político reconhecer publicamente que determinada estratégia não resultou e que é necessário a procura de um novo rumo.
A Plataforma das Artes não tem sido “apropriada” pelos vimaranenses e não tem entrado na rota das visitas de quem se desloca a Guimarães. O presidente da Câmara afirmou que os turistas não integram nos seus percursos pela cidade o conhecimento do edifício que marcou a CEC 2012, “quem visita o Castelo ou o Paço dos Duques também tem de sentir que deve conhecer a Plataforma das Artes” e isso não tem acontecido, esse espaço “não tem a frequência que gostaríamos que tivesse, é uma realidade”, referiu Domingos Bragança já no final da reunião do executivo.

Para reverter esta situação, o edil vimaranense avança com a criação de um grupo de reflexão, a ser coordenado pela vereadora da cultura, Adelina Pinto, que deverá ser constituído até ao final do ano: “Vamos criar uma comissão independente, com capacidade crítica, mas também conhecedora da cultura em Guimarães. Queremos contributos para redefinir o modelo a seguir”.

“A Plataforma das Artes está à deriva”, André Coelho Lima
O líder da coligação Juntos por Guimarães perante estas declarações afirma que “a reflexão proposta tem tantos anos de atraso, como os anos da Plataforma das Artes”.

No entanto, valorizou o facto de o poder político vimaranense reconhecer que a Plataforma das Artes não está bem, sendo um passo para se tentar corrigir aquilo, que na opinião do vereador social-democrata esteve mal desde o início: “Guimarães nunca teve um propósito com a Plataforma das Artes a não ser construí-la, nunca soube o que fazer com esse equipamento. A Plataforma das Artes está à deriva e é importante que se saiba o que se pretende, qual o seu alcance cultural”.

André Coelho Lima defende que “Guimarães tem de conseguir aliar à sua dimensão histórica patrimonial a dimensão contemporânea cultural”. Sendo mais concreto, afirmou que Guimarães “não tem dinheiro para investir no edifício e no seu conteúdo”, não tendo conseguido construir um edifício que, por si só, chamasse as pessoas para o visitar, “como o Museu Guggenheim em Bilbao”, tem de “apostar no conteúdo”, defendendo uma ligação com Serralves e uma entrada na rota da itinerância da arte contemporânea internacional.