PUB
Minta & The Brook Trout trazem novos temas no regresso aos Banhos Velhos
Minta & The Brook Trout trazem novos temas no regresso aos Banhos Velhos
© Vera Marmelo
Quinta-feira, Maio 25, 2017

Foi buscar o nome de Minta à personagem de um livro de Virgina Woolf. Francisca Cortesão anda com os Brook Trout a mostrar as canções que fazem parte do seu novo disco “Slow”, que foi lançado há cerca de um ano. Entretanto, há uma tríade de novos temas para ouvir. Enviamos umas perguntas por e-mail a Francisca Cortesão, que regressará ao antigo balneário romano, desta vez como Minta & The Brook Trout.

A Francisca escreve canções há mais de vinte anos. O que mudou na forma como escreve? Quais eram os temas sobre os quais escrevia e que caminho percorreu o seu olhar até aos dias de hoje?
Não será há mais de vinte anos, mas é há muitos! Acho que a grande mudança, que foi feita lentamente, foi que comecei a dar mais importância às letras. No início ia muito mais atrás do som das palavras, para as encaixar em melodias, e as letras eram mais vagas. Os temas se calhar não mudaram assim tanto – continuo a andar bastante à volta das relações humanas –, a abordagem é que foi evoluindo. Hoje acho que faço letras mais concretas, mesmo que sejam sobre situações completamente ficcionais.

Sei que também faz traduções. Normalmente, escreve de acordo com a antiga ou a nova ortografia?
Faço, sim, é um trabalho complementar à música – muitas vezes o meu “ouvido” acaba por me ajudar nas traduções. Na maior parte dos casos tenho de obedecer à nova ortografia. Se estiver a escrever livremente, como é o caso, acabo por recorrer à antiga, que ainda me é mais confortável.

O LP de estreia “Olympia”, de 2012, teve muito boas críticas. Antes, teve outro projeto que não terá corrido tão bem. Ficou surpreendida com essa recepção? O que terá funcionado melhor enquanto Minta?
O que funciona ou não é para mim um mistério, mas o “Olympia” foi já o nosso segundo disco: temos um homónimo editado em 2009 e antes disso saiu ainda um EP de Minta, ainda sem banda, chamado “You”. Quando chegámos ao “Olympia” já tínhamos percorrido algum caminho.

A fasquia de “Olympia” foi algo que quiseram superar com este “Slow”, ou nem pensaram nisso?
Continuamos a gostar muito do “Olympia”, quisemos fazer um disco de que gostássemos tanto como desse. Do meu ponto de vista, a fasquia da composição das canções vai subindo de disco para disco.

Para o disco “Slow”, o Bruno Pernadas e a Mariana Campelo juntaram-se aos Brook Trout. De que forma as pessoas com quem se rodeia moldam o resultado final dos discos?
Molda-os completamente, dos arranjos à capa. As canções, no sentido mais purista do termo, são minhas – mas fazer discos é um trabalho colectivo. A guitarra do Bruno e os teclados e a voz da Margarida vieram trazer uma dimensão nova aos arranjos de Minta & The Brook Trout, tanto no “Slow” como no “Row”, o EP que lançámos entretanto.

Na altura da composição, dá total liberdade aos músicos ou já disse a alguém para não fazer algo de que não gostava?
Há liberdade total para experimentar, sendo que eu e a Mariana Ricardo, como produtoras dos discos, vamos dirigindo os arranjos.

Os músicos da Pataca tocam quase todos uns com os outros. Como é que fazem essa gestão em termos da individualidade criativa de cada um? Não é difícil, a dada altura, Minta distinguir-se de They’re Heading West ou mesmo do Bruno Pernadas?
Do lado de cá, as distinções são muito claras. Percebo que visto de fora possa gerar confusão, mas do lado dos músicos não temos dificuldade em distinguir as várias bandas, mesmo quando há elementos em comum. Cada uma delas funciona de uma maneira singular. Sinto-me muito privilegiada por fazer parte da “família” da Pataca, em particular, e por ter a oportunidade de tocar com tanta gente que faz música tão entusiasmante – dentro e fora desse grupo.

O concerto nos Banhos Velhos acontece passados poucos dias de terem lançado o EP digital “Row”. Estes três temas estavam assim tão atravessados que não podiam esperar pelo próximo disco? Como aparece este registo?
Os três temas são novos, pensados para um EP entre discos. Só o tempo dirá se algum deles reaparecerá num próximo registo, mas entretanto quisemos fazer uma edição ainda próxima do “Slow”.

Recorda-se do concerto nos Banhos Velhos, com Tape Junk, em 2014 (30 de Agosto de 2014, para ser mais preciso)? Algum aspecto em particular?
Recordo-me do próprio espaço, que nos surpreendeu – sobretudo o campo de milho atrás do palco –, e de termos tido uma recepção muito simpática, tanto por parte da organização como do público. E lembro-me de termos jantado muito bem antes do concerto!