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Manuel Castro no Rali de Portugal, de 17 a 20 de maio
Manuel Castro no Rali de Portugal, de 17 a 20 de maio
DR
Segunda-feira, Maio 7, 2018

Manuel José Marques de Castro é um piloto taipense, com 36 anos, que marcará presença no Rali de Portugal 2018, com partida de Guimarães. Numa entrevista ao Reflexo deste mês, Manuel Castro dá a conhecer o seu percurso desde 2002, até aos dias de hoje, com a criação da sua equipa “Racing 4 You” e a aposta no Hyundai i20 R5.

A família teve influência nesta aposta no automobilismo?
Eu nasci no meio dos carros de corrida, com o meu pai, na altura, ainda a correr. O meu pai começou a correr em 1978-79 e eu nasci em 1981. Portanto, as minhas primeiras memórias serão mesmo dessa fase, do meu pai a competir e dos carros na oficina. Ao chegar aos 18 anos, o pensamento era sempre esse – como é que eu havia de fazer aquilo que o meu fez quando tinha 18 ou 19 anos. Juntei-me com um amigo, o Filipe Marques, arranjei uns trocos, parti o meu mealheiro e o do meu irmão, arranjei alguns contactos e acabei por fazer umas provas, com um carro comprado numa sucata.

Geralmente no automobilismo começa-se pelo karting, mas não foi o caso.
Não comecei por um motivo: o meu pai não me deixava fazer kartings. Na altura, o meu tio Abel tinha a melhor equipa de kartings. Ele disse-me muitas vezes que eu tinha jeito e para ir trabalhar para a equipa dele. O meu pai nunca me autorizou, pois não queria que eu me metesse nisto.

Quem está envolvido na equipa “Racing 4 You”?
Temos o Wilson, na parte mecânica, e o Rafael, que trata de toda a parte de marketing e comunicação da empresa. O Pedro Meireles vai começar a trabalhar também com a nossa equipa. No fundo, estamos a criar uma equipa de Guimarães, com um ex-campeão nacional de ralis de Guimarães em 2014, e também com o seu irmão, o Paulo, que foi vice-campeão de ralis. Estamos a criar uma estrutura profissional, capaz de lidar com os melhores pilotos nacionais. Não estou a falar de mim, embora ache que possa lá chegar, com mais um bocado de trabalho e de sorte.

O Pedro Meireles vai correr o Rali de Portugal em que carro?
Num Skoda R5, que é dele. Os Hyundais é que são meus, o Paulo Meireles vai correr num desses Hyundai.

Como é que se processa essa parceria?
Os pilotos testam o carro, alugam-no e correm. A única coisa que têm que fazer é dizer-nos a decoração que querem e os pneus que pretendem usar. De resto, a nossa equipa trata de tudo, gere toda a parte logística da prova.

Os patrocinadores são escassos para fazer frente a este tipo de aposta?
São, infelizmente são. Falta-me chegar ainda a alguns parceiros de maior dimensão, mas começo a ter parceiros de exposição mediática nacional que veem interesse em tirar proveito da minha imagem. Espero para o ano poder reunir apoios mais fortes para que, nessa altura, possa sentir que tenho condições para lutar pelo campeonato nacional.

Em algumas provas, chega um momento em que há qualquer coisa com o carro que leva à desistência. Como é que um piloto está preparado para fazer face a esses desaires?
Não estamos preparados. É muito difícil. A minha mulher e a minha família ajudam-me muito. Sei que todo o tempo que dedico a isto, estou a roubar tempo ao meu trabalho profissional, que me dá o sustento, e em casa.
Ajuda a paixão que temos pelo desporto e o respeito que temos pelas pessoas e pelas empresas que nos apoiam que acabam por não me deixar desistir.

Expectativas?
Será lutar pelo campeonato nacional em 2019. Há que trabalhar para isso.

Qual é o seu piloto de referência?
A minha referência é o Henri Toivonen, pela dose de bravura e de loucura que aplicava em cada prova. E o meu pai também, pois cresci a vê-lo correr e foi ele que me fez estar hoje nesta brincadeira. O Markku Alén, também, que é amigo do meu pai.

Qual é o troço de rali que mais gosta de fazer?
Nos últimos anos, nos Açores, a classificativa dos Graminhais. É uma classificativa longa de 20 km, muito dura, mas fabulosa de se fazer, com muitos pinheiros, muito nevoeiro, sempre, é um grande desafio para a condução. Gosto muito de Fafe-Lameirinha, sem dúvida. E depois, no asfalto, Figueiró dos Vinhos e Campelo, na Marinha Grande. Depois as classificativas de asfalto de Ponte de Lima e Vilar de Mouros são 18 km de pura loucura.

Aqueles ralis que tivemos aqui nas Taipas…
Que eu organizei e onde gastei as minhas pestanas. Trouxe os dois ralis para as Taipas e trouxe o rali para Guimarães. Ainda hoje, os pilotos dizem-me que foi uma pena o Rali Cidade de Guimarães ter desaparecido, que era o melhor rali de asfalto do Campeonato Nacional de Ralis.

Neste momento, está fora de hipótese retomar o rali aqui nas Taipas?
Que é um evento que dinamiza qualquer sítio onde vai, não tenho a menor dúvida. Se voltarem a defender essa ideia, eu estarei cá para ajudar.

E a música está completamente posta de lado?
Tenho saudades. Tenho muitas saudades mesmo. A minha banda, os Pen Cap Chew fez este ano 20 anos. Tenho falado com o Conde, o Nuno e o Carlos sobre a possibilidade de darmos um concerto, mas não será fácil.

Entrevista completa na edição de maio do jornal Reflexo, já nas bancas