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Uma manifestação nas Caldas das Taipas a favor da Monarquia do Norte (1919)
Quinta-feira, Junho 7, 2018

Folheando as páginas do semanário O Comércio de Guimarães, na sua edição número 3297, de sábado, de 1 de fevereiro de 1919, no artigo intitulado “Nas Caldas das Taypas”, encontrámos a referência de como foi vivenciada nas Taipas e nas freguesias vizinhas a denominada “Monarquia do Norte”.

A “Monarquia do Norte” foi uma contra-revolução ocorrida na cidade do Porto, a 19 de janeiro de 1919, pelas juntas militares afectas à restauração do regime monárquico em Portugal, em plena 1.ª República Portuguesa. Neste período de 25 dias (de 19 de janeiro a 13 de fevereiro) é restaurada a Monarquia. A 19 de Janeiro de 1919, foi proclamada no Porto a Monarquia, tendo como seu chefe Paiva Couceiro e muitos militares monárquicos, tendo esta proclamação sido seguida em muitos pontos do país, mas principalmente no Norte. A guerra civil termina com a entrada dos exércitos republicanos no Porto.

No artigo em causa deste semanário vimaranense, podemos ler referindo-se às Taipas: “não podia esta linda povoação ficar indifferente ante o enthousiasmo que em todos se observa pela restauração do regime monarchico”.

Continuando, a leitura desta notícia, sabemos que no domingo anterior à publicação deste artigo, a 26 de janeiro, organizou-se nas Caldas das Taipas uma manifestação a favor da revolta monárquica, promovida pelo pároco de São Martinho de Sande e auxiliado pelos seus paroquianos. Nesta manifestação “tomou parte (…) grande número de povo, e o muito digno parocho de S. Lourenço de Sande também com os seus parochianos”. Esta manifestação “sempre na melhor boa ordem” foi acompanhada por uma banda de música que percorreu as principais artérias de Caldas das Taipas, soltando vivas ao D. Manuel II, à Pátria, à Monarquia e a Paiva Couceiro. Os manifestantes chegando ao edifício escolar, retiraram a bandeira verde e rubra e hastearam a bandeira azul e branca, sempre no meio de entusiásticas aclamações. De seguida, discursaram os senhores Alexandre da Costa e Silva e o seu irmão Augusto da Costa e Silva, bem como o Reverendo José Ferreira Leite e o Padre Francisco Alves Pinheiro, sendo todos muito ovacionados.

Os manifestantes e a banda de música dirigiram-se em seguida para o Grande Hotel das Taipas, discursando os mesmos oradores nas varandas deste edifício, localizado no centro da povoação, que foram muito aplaudidos. Nessa unidade hoteleira, os monárquicos das freguesias de São Tomé de Caldelas, São Lourenço de Sande e de São Martinho de Sande vitoriaram com entusiasmo os nomes de El-Rei, Pátria e Paiva Couceiro.