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Maiorias absolutas
Sexta-feira, Junho 16, 2017

É frequente ouvirmos no período eleitoral os dirigentes da maioria socialista afirmarem que só com maiorias absolutas é possível governar Guimarães, e que se assim não for a autarquia será ingovernável. Este discurso, já gasto pela repetição, surgiu em 1989, altura em que António Magalhães ganhou pela primeira vez uma maioria absoluta, feito que se tem repetido até aos dias hoje.

As dificuldades em encontrar consensos verificadas nos executivos minoritários em câmaras anteriores, com a presidência do PS ou do PSD, são a base de sustentação que tem alimentado esta teoria. Para memória fica o registo do último executivo liderado por António Xavier que incluía todas as forças políticas representadas e com competências atribuídas! Nesta época, esta pluralidade partidária, deu expressão ao mais puro conceito do que deve ser, do meu ponto de vista, o exercício democrático autárquico!

Mas não nos podemos esquecer que vivemos num regime democrático representativo, onde os eleitores de quatro em quatro anos são chamados a participar, votando em quem entendem ser o melhor projecto. Passados quatro anos terão oportunidade de corrigir ou não a escolha. É este o ciclo a que temos assistido nos últimos anos, e é a grande e quase única responsabilidade que muitos têm enquanto cidadãos de pleno direito. Os outros, os eleitos terão a obrigação de executar o prometido, sabendo que apenas serão escrutinados em próximas eleições, passados quatro anos…

O povo na sua ancestral sabedoria diz que as dificuldades aguçam o engenho, o que quer dizer que as dificuldades proporcionam a evolução e facilitam a procura de outras soluções para outras rotinas. Está na hora de alterar as rotinas, de acabar com a sangria e alheamento de um número cada vez maior de cidadãos que não se revê neste processo e de ano em ano aumentam o número da abstenção.

Nem a introdução do Orçamento Participativo pretendendo envolver as pessoas na resolução de uma série de questões a vários níveis, permite “ disfarçar” o afastamento cada vez mais generalizado da população da actividade política.

Num processo democrático, mais maduro como é hoje, comparado com o anterior a 1990, seria positivo que o exercício do poder tivesse expressão e abrangência para além da apenas força vencedora.

Temos assistido, pontualmente, às dificuldades que suscitam na população toda e qualquer intervenção no território sem uma ampla e necessária discussão pública, no tempo certo, com todos os interessados. A necessidade de ouvir outros interlocutores, com cores e perspectivas diferentes contribuirá para a construção de um concelho onde o seu desenvolvimento seja previamente discutido pelos seus habitantes.

A forma de alterar este comportamento será impedir a repetição da rotina das maiorias absolutas, cortar o seu ciclo vicioso e provocar soluções diferentes, mais discutidas, mais participadas e mais consensuais.