Limpar Portugal, antes que nos limpem a nós
Terça-feira, Abril 6, 2010

Vivemos num tempo de obsessão pelas limpezas. Limpeza do corpo exterior e interior, facto que a publicidade de massas não esquece; limpeza das casas a que não será alheio o tempo da Páscoa; limpeza do espírito a que corresponde a obrigação do cristão católico de se confessar ao menos pela Páscoa da Ressurreição. A limpeza biodegradável (significa o arrependimento e a firme vontade de não pecar (sujar) outra vez) tem a qualidade de ser susceptível de se sujar outra vez para que a natureza nada perca antes transforme tudo, em coisa melhor, entenda-se. Assim, a Páscoa aparece como o tempo ecológico e dos ecologistas, por excelência. É na Páscoa que se celebra o mistério da ressurreição; o mistério da vida sã; também a transformação do pão em corpo e do vinho em sangue que será derramado pelos homens de “má vontade”. A Páscoa significa a transformação natural e sobrenatural da vida; a transformação para melhor. Se não houvesse intervenção divina na Páscoa, dir-se-ía que era a natureza a trabalhar no seu melhor, reciclando os corpos e os espíritos: tudo sem a utilização de produtos químicos e sem gerar poluição.

A mudança radical de atitude que a vivência da Páscoa supõe dispensava as iniciativas ecológicas que se têm-se multiplicado: o dia das cidades sem carros; o apagão geral e o dia destinado a “Limpar Portugal” são aquelas realizações que assumiram mais relevância pública; isto se não levarmos em conta a saída do Penedos da REN, a demissão do “boy” Rui Pedro Soares da PT e o PEC.

O PEC (plano de estabilidade e crescimento) é a medida propugnada pelo nosso Primeiro para limpar Portugal. Limpar os bolsos dos portugueses com o aumento de impostos; limpar a poupança dos portugueses com o fim de algumas deduções; limpar o risco dos pequenos aforradores com a tributação das mais valias de valor superior a um montante irrisório.

Não há, naquele PEC, uma medida para limpar a despesa.

AH! – Havia uma já informada pelo PEC.

O Sr. Ministro das Finanças não queria respeitar a lei, e a previsão de uma verba autónoma, no orçamento de estado, para pagar aos eleitos locais das freguesias que exercem mandato a meio ou tempo inteiro, de € 5 milhões de euros, causaram-lhe tanto transtorno que a palavra que ele traz consigo debaixo da língua para utilizar sempre que precise no interesse do seu partido – para a nomeações – soltou-se, apelidando de “boys” quem ostenta a mesma ou maior legitimidade democrática que o desprevenido governante.

Temos um ministro das finanças que, mais uma vez, queria “limpar” de vez as juntas de freguesia de Portugal.

Assim colaborem as juntas de freguesia a limpar Portugal sob pena de as mesmas serem “limpas” do mapa.