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Libertem os Rios
Quinta-feira, Outubro 4, 2018

Tive o privilégio de, em representação da AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia, ter participado na 1.ª Cimeira Europeia dos Rios que decorreu de 27 a 29 de setembro na cidade de Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina.

Foram três dias de intensa atividade onde cerca de 250 pessoas de mais de 30 países partilharam as suas experiências e discutiram diferentes formas de proteger e restaurar o estado ecológico dos rios.

O debate foi centrado no que eles chamaram de tsunami de mini-hídricas que, está a varrer toda a Europa, e em especial os países dos Balcãs onde os novos projetos são aos milhares.

A energia hídrica, que nos é vendida como sendo “verde”, é na verdade a que mais impactes negativos tem sobre o ambiente, degradando todo um ecossistema de valor inestimável a que chamamos RIO.

Foram abordadas formas de proteger os rios que ainda fluem livremente e de restaurar os que já foram destruídos, com ênfase para o papel da Diretiva Quadro Água como documento suporte às ações legais para impedir a construção de novas barragens.

Num momento bastante emotivo, as corajosas mulheres de uma pequena vila Bósnia, relataram a história da sua luta pelo direito ao rio da terra. Desde há quase um ano, que dia e noite, ocupam e impedem o acesso das máquinas ao local de construção de uma barragem, tendo já sido alvo de uma violenta carga policial.

Pela voz do Rios Livres do GEOTA, foi dado a conhecer o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, com destaque para o Alto Tâmega e para a barragem de Fridão, cuja decisão de construção está suspensa até 2019.

No final da cimeira foi redigida uma declaração conjunta que apela às entidades competentes para que acabem com a construção de novas barragens, que se eliminam as que estiverem obsoletas e que se mitiguem os seus efeitos nas demais.

Conviver de perto com toda aquela disponibilidade e energia de lutar pelos rios deixa qualquer um com vontade de fazer mais, e eu começo por partilhar esta experiência na expetativa de despertar nos amantes dos rios a vontade de agir.

É preciso libertar os rios, mas devemos ter em conta que não são só as barragens que os aprisionam.