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Liberdade foi evocada num 25 de Abril de homenagens
Liberdade foi evocada num 25 de Abril de homenagens
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Terça-feira, Abril 25, 2017

A sessão solene da Assembleia Municipal (AM) evocou esta manhã os 43 anos do 25 de Abril. Os partidos que correm às próximas eleições autárquicas escolheram os seus cabeça-de-lista à AM para protagonizarem os discursos. Destaque para as palavras de António Magalhães, que presidiu pela última vez à sessão solene do 25 de Abril daquele órgão autárquico. Foi aplaudido de pé.

Antes dos discursos, o Núcleo de Estudos 25 de Abril levou a cabo mais uma encenação evocativa da data com a performance “Livre como um livro”, protagonizada por cerca de 20 jovens.

Conheça os excertos dos discursos de cada um dos intervenientes, por ordem de intervenção:

Rita Caldas, Movimento Partido da Terra

Eu não consigo explicar este paradoxo de sermos a geração mais capaz com menos provas dadas. A quem lhes foi dado tudo e não consegue nem o que os anteriores conseguiram. Se liberdade é independência, nós não somos livres. Se liberdade é esperança no futuro, nós ainda estamos presos ao passado. Se liberdade é poder, nós não podemos. A luta pela liberdade não começou nem acabou com o 25 de Abril de 1974. Esta luta trava-se todos os dias. Esta luta trava-se em todo o lado. Esta luta trava-se dentro de cada um de nós, por cada um de nós e para todos nós.

Sónia Ribeiro, Bloco de Esquerda (candidata à AM)

Hoje, 43 anos depois, dizemos é necessário afirma e repor Abril, contra a escalada neoliberal, contra o empobrecimento do país, contra o garrote da dívida, contra o saque da banca perpetrado pelos banqueiros, contra a subjugação e humilhação do país. Cumprir Abril… é preciso!

Rui Correia, CDS

A liberdade tão apregoada não é uma verdade absoluta. O poder condiciona. O poder impede. O poder persegue e tudo isto apenas para que se possa continuar a ser poder. E não propriamente para trabalhar em prol das populações. Num dia em que se comemora a liberdade, não podemos deixar de recordar a forma como na assembleia municipal, num episódio recente, se apelidou a oposição de má-fé, de cinismo, quando na verdade é o poder que não tem a humildade política de aceitar uma sugestão vinda da oposição.

Mariana Silva, CDU (candidata à AM)

Termino fazendo a justa homenagem a todos quantos lutaram para que hoje pudéssemos comemorar. Aos valorosos militares de Abril, mas também ao povo que nunca deixou de lutar, e particularmente àqueles que deram tudo, incluindo a própria vida para que outros pudessem “não morrer sem saber qual a cor da liberdade”. Cumpra-se Abril, Cumpra-se Portugal!

José Pedro Aguiar-Branco, PSD (candidato à AM)

A grilheta mais pérfida com que a ditadura encarcerou um povo inteiro não foi apenas do metal das armas nem do azul do lápis da censura, a grilheta mais pérfida está nesta ideia de país pequeno, pobre e periférico. De povo feliz por ser remediado, de gente que tem que se conformar com o seu lugar pré-determinado. E um Portugal condenado a ter mais passado do que futuro. 900 anos depois do português único que nunca deixou que lhe impusessem o seu lugar, as gentes de Guimarães são ainda hoje os principais herdeiros do seu legado e o exemplo do que o país precisa: a vontade de quebrar barreiras que só existem nas nossas cabeças.

José João Torrinha, PS (candidato à AM)

Com aqueles homens bons de que vos falava e com outros que serviram Guimarães, aprendi que é possível estar na vida política jogando limpo, com elevação, com respeito pelo adversário. Recordo as palavras emocionadas de Cândido Capela Dias aquando do passamento de Joaquim Cosme, eles que ideologicamente estavam nos antípodas um do outro, mas que souberam construir uma amizade em cima disso. Não esqueço, igualmente o abraço que deram Fernando Alberto Ribeiro da Silva e António Magalhães na homenagem recentemente feita a este último. Naquele abraço sentido que uniu dois adversários políticos de décadas no nosso concelho estava condensado o verdadeiro espírito democrático de pessoas que sabem que acima do combate há valores que em caso algum podem ser postergados. O combate político feito assim, com princípios e elevação agrega, une, entusiasma, chama os jovens para a participação política.

António Magalhães, presidente da Assembleia Municipal de Guimarães

Sumariamente, diria que somos outro país. Evoluímos em variadíssimos parâmetros da nossa sociedade, como é mister reconhecê-lo. Foram dados passos significativos quanto ao estatuto que é devido à mulher, na garantia dos direitos dos trabalhadores, no reforço do poder local. Ganhámos relevância no conceito das nações e, materialmente, conseguimos um salto qualitativo tal que, de fora, só acredita nele quem vem até nós.