Julgamentos na Praça Pública
Quarta-feira, Agosto 14, 2019

As redes sociais, tal como as conhecemos hoje, são uma ferramenta indispensável para quase toda a população. E são uma boa ferramenta! Mas que nem sempre é usada da melhor forma. E uma das formas, e a mais grave, em que não sabemos usar as redes sociais é quando qualquer pessoa, sem qualquer habilitação para o efeito, sem qualquer conhecimento de causa, sem qualquer conhecimento das pessoas ou instituições envolvidas, mas mesmo assim se julga no direito de condenar e até insultar terceiros. Muitas vezes, e todos sabemos como isso é fácil de criar, até vemos as pessoas comentarem sobre notícias falsas, as chamadas “Fake News”, muitas vezes criadas propositadamente para denegrir pessoas, como se fossem uma verdade absoluta.

Sabemos que por trás de um qualquer teclado é fácil dizer aquilo que não temos coragem de dizer pessoalmente, mas hoje em dia os cobardes vão muito mais longe pois não têm coragem de o dizer frente a frente como já não têm coragem de o fazer atrás de um qualquer teclado assumindo quem são e por isso usam os perfis falsos para se sentirem ainda mais corajosos, mas o que fazem é apenas aumentar o nível da sua cobardia.

Devemos todos pensar, antes de outra qualquer coisa, que estas situações tomam por vezes proporções que saem do controlo de quem as cria e podem destruir vidas. As redes sociais usadas de forma deficiente podem até matar! Não precisamos ir longe para ver o que se passou à relativamente pouco tempo na vizinha Espanha quando um cidadão decidiu meter a circular vídeos antigos de uma colega de trabalho, agora com filhos, que não resistiu à sua divulgação e se suicidou. A vida é injusta!

Como podemos depois reparar uma situação em que condenamos, insultamos, sem qualquer conhecimento da situação e depois vemos que afinal tudo não passa de uma mentira propositada? Não tem reparo! Não temos esse direito.

Mas o que me leva a querer aprofundar mais este tema, e essa é a única questão aqui preocupante, é o mal que estamos a fazer às pessoas em causa e os danos irreparáveis que são causados.

Deixemos os julgamentos para os lugares e as pessoas habilitadas para isso, os tribunais e os juízes.