Irradiar o bom odor da alegria
Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Cada pessoa é relação. Sozinha não é nada. Só se realiza como pessoa quando entra em relação com os outros. Este relacionamento, para ser verdadeiramente humano, deverá ser um relacionamento alegre. Cada pessoa deve irradiar a alegria de viver, ao jeito de quem anda perfumado. É o perfume da alegria que faz tanta falta nesta sociedade onde há tanta gente carrancuda, pessimista, mal-humorada.

Esta alegria manifesta-se no modo de olhar. Se no coração de alguém habita a alegria, podemos ver nos olhos a brilhar a alegria que seduz. Os olhos são o espelho de uma alma em festa.

A alegria manifesta-se na conversação. As palavras são necessárias para sublinhar as qualidades das pessoas, o aspecto positivo dos acontecimentos, a beleza da vida. É uma palavra que anima, alegra, vivifica.

A alegria manifesta-se no modo de actuar. Se o pessimista se contenta em encostar-se ao muro das lamentações para dizer mal e lamuriar-se, o optimista prefere calar-se e deitar mãos à obra para fazer o possível em ordem à solução dos problemas.

A alegria manifesta-se sobretudo no coração, como símbolo universal do amor. Quem é alegre já percebeu que é no amor aos outros que encontra o combustível para se manter cada vez mais alegre. “Sonhei e vi que a vida era alegria. Acordei e vi que a vida era serviço. Comecei a servir e vi que o serviço era alegria” (R. Tagore).

Um egoísta nunca poderá ser uma pessoa feliz. Mas uma pessoa que optar por um projecto de vida que assente no amor e no serviço aos outros, esse projecto torna-se numa nascente de alegria que jorra para a eternidade.

Este bom odor da alegria deve irradiar em todos os ambientes do nosso dia-a-dia, mantendo em família e no trabalho um bom-humor que ninguém nos poderá roubar. O bom-humor torna-nos mais belos aos olhos dos outros. O bom-humor, além de ser saudável, contribui para um bom relacionamento entre as pessoas. O bom odor da alegria deve estar presente na diversão.

Falar da alegria não é fechar os olhos para não ver as tristezas deste mundo. Não podemos ignorar as crianças vítimas da fome, da guerra e das doenças. Não podemos ignorar os refugiados, os idosos que vivem sós, mergulhados na tristeza e mendigando afecto. Nem os doentes e os presos. Não podemos ignorar que vivemos num mundo imperfeito, que a maldade e o egoísmo dos homens teimam em tornar ainda mais triste.

Mas estas e outras situações não são suficientes para nos roubar a alegria.

A tristeza desmobiliza, deixa as pessoas resignadas ante o mal e a lamentarem-se. A tristeza, porque é má conselheira, pode levar as pessoas a uma atitude de revolta perante tudo aquilo que impede as pessoas de viver alegres.

A alegria, porém, mobiliza. Quem é alegre é o primeiro a empenhar-se para que todos vivam também alegres. Podemos constatar que as pessoas que mais se dedicaram ao serviço dos que sofrem e vivem tristes, eram pessoas alegres. O exemplo mais recente vem-nos da Madre Teresa de Calcutá, que era uma mulher feliz. Uma felicidade que aumentava na medida em que se dedicava aos pobres, abandonados e moribundos das ruas de Calcutá.

A alegria rima com utopia. A utopia real de sonhar que é possível um mundo melhor. Acontecerá a festa quando todos tiverem satisfeitas as necessidades básicas: alimentação, saúde, educação, emprego, segurança social… E porque as pessoas não se satisfazem com o ter tudo isto, a alegria acontecerá quando as pessoas se amarem e se sentirem amadas. Deste amor resultará a festa. Um amor sem fronteiras.

As pessoas de boa-vontade devem manter uma atitude de esperança activa, lutando para que a alegria ganhe terreno. Só ela dá sabor à vida. Esta esperança activa pode manifestar-se não apenas com realizar grandes obras, mas em manter nos lábios um sorriso. Quem não pode contribuir para um mundo melhor, dando o seu sorriso de pessoa feliz? Ninguém é tão pobre que não possa dar a todos a luz do seu sorriso límpido e puro como a nascente de uma fonte.

Terminamos a reflexão acerca da alegria com este conhecido decálogo sobre o sorriso:
1. Quanto custa um sorriso? Nada.
2. Quanto pode produzir? Muito.
3. Quanto tempo dura? Um instante.
4. E a sua recordação? Às vezes, toda a vida.
5. Quem é tão pobre que não o pode dar? Ninguém.
6. Quem é tão rico que não necessite dele? Ninguém.
7. Quem o dá fica mais pobre? Não, fica mais rico.
8. Quem está mais necessitado de um sorriso? Quem não o pode dar.
9. Qual é o valor social de um sorriso? Substitui qualquer palavra.
10. Qual deve ser a palavra de ordem? Sorrir sempre!