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Intervenção na Alameda Rosas Guimarães dá primazia ao peão em detrimento do automóvel
Intervenção na Alameda Rosas Guimarães dá primazia ao peão em detrimento do automóvel
Fotografia Matos
Quinta-feira, Setembro 17, 2020

Projeto da intervenção na Alameda Rosas Guimarães e na Rua Joaquim Ferreira Monteiro está concluído, tendo como principal enfoque tornar este espaço mais apelativo para as pessoas e não tanto para os automóveis. As tílias são para manter e o trânsito será alterado. 

Dentro em breve a Alameda Rosas Guimarães terá uma nova cara. O projeto para a intervenção nesta zona nevrálgica na Vila das Taipas está concluído e, pese embora se trate de uma obra algo minimalista, prevê algumas alterações de fundo, essencialmente para o quotidiano dos frequentadores deste espaço. As obras não serão avultadas, mas em parte a essência deste espaço será alterado.

A ideia é que a Alameda Rosas Guimarães passe a ser mais atrativa para as pessoas, passe a ser uma zona de uso pedonal e não tanto uma espécie de parque de estacionamento. O Reflexo falou com o arquiteto Ricardo Rodrigues, da Câmara Municipal de Guimarães, projetista que pensou esta intervenção e que deu conta das principais características da reformulação que vai ser feita não só na Alameda Rosas Guimarães, mas principalmente na Rua Joaquim Ferreira Monteiro, essa sim que será completamente reformulada.

Como principais tópicos a reter, o último canteiro (junto ao Parque de Lazer) vai passar a ser utilizado apenas de forma pedonal, sendo nivelado pelos passeios e os canteiros centrais deixarão de ter passeios; as árvores são para manter e o trânsito automóvel sofrerá alterações.

Alameda para as pessoas

Uma das ideias vincadas por Ricardo Rodrigues foi precisamente a de dar maior conforto para que as pessoas possam usar a Alameda Rosas Guimarães e a Rua Joaquim Ferreira Monteiro. É nesse seguimento que o trânsito automóvel deixará de existir no último canteiro da Alameda Rosas Guimarães, junto ao parque.
“Pensamos nisto para que fosse possível fazer aqui vários tipos de eventos, como uma feira do livro, por exemplo, até porque a ideia de reformular a Alameda era anterior à reformulação do centro cívico. Dessa forma amplia-se muito o tipo de utilização que o parque de lazer pode ter; subimos o pavimento, mantemos o desenho do espaço público, mas a zona da antiga estrada e o passeio ficam ao mesmo nível. Apenas uma entrada para veículos de emergência, sem trânsito automóvel”, explica Ricardo Rodrigues, recordando que este projeto começou a ser pensado em 2012 por altura da elaboração do Mapa 2020.

Nos restantes canteiros verificar-se-ão também alterações, uma vez que vão ser eliminados os passeios. “Vamos alargar os canteiros. Os passeios que circulam as placas centrais vão ser demolidos e vamos ter só um passeio central. O passeio é alargado nas faixas laterais, de forma a que, em vez de atravessarmos cinco metros de estrada passemos a atravessar só três e meio. Nas zonas centrais criámos uma zona de estar com iluminação, papeleira, uns bancos, onde as pessoas podem estar. Apercebi-me que poucas pessoas utilizam e circundam os passeios centrais, por isso não faz sentido lá estarem”, aponta, indicando que o busto de Rosas Guimarães existente nesta artéria será reposicionado precisamente junto ao último canteiro, “com um enquadramento completamente diferenciado e com outra visibilidade”.

Alteração no trânsito

Numa primeira fase a empreitada incidiria sobretudo na Rua Joaquim Ferreira Monteiro e esse intuito mantém-se. Se na alameda as alterações serão mais minimalistas, esta rua terá uma intervenção de maior monta, alterando-se inclusive o sentido do trânsito. Nesta rua o estacionamento será substituído por passeios para peões.

“Vamos criar uma forma pedonal para se circular condigna na Rua Joaquim Ferreira Monteiro, que atualmente não acontece. Ao fazer isso entramos no drama que temos, por exemplo, no Centro Histórico: ou passeios/pessoas ou carros. Ficaremos só com estacionamento numa baía final da rua, mas há a escassos metros lugares automóveis”, aponta o arquiteto responsável por idealizar a nova configuração da avenida do parque.

Tal como já foi referido, esta rua passará a ser utilizada como saída do parque e não como entrada, numa decisão pensada pelos serviços de trânsito do município. “O sentido de trânsito, por indicação dos serviços de trânsito da Câmara Municipal de Guimarães, vai ser alterado. Concordamos que a curva após a ponte implica uma paragem perigosa dos carros, pelo que a saída será feita com uma curva larga para a direita, quase que uma faixa de aceleração”, sublinha. Esta rua, que até agora é utilizada para estacionamento em toda a sua extensão, passará a ter um número reduzido de lugares; terá um lugar de cargas e descargas, um lugar para pessoas com mobilidade reduzida, num total de quatro lugares de estacionamento.

“Árvores mantêm-se e são reforçadas”

Um dos maiores patrimónios da vila, as árvores que preenchem a Alameda Rosas Guimarães são para manter, nomeadamente as tílias. Essa é a ideia do projetista Ricardo Rodrigues, que adianta que as árvores serão ainda revigoradas.

“As árvores mantêm-se e são reforçadas. Com a ajuda dos serviços do ambiente vamos fazer uma revisão das árvores porque há árvores que serão substituídas, as que estão doentes e envelhecidas. A ideia é sempre manter a arborização da alameda e manter essa característica. As árvores que são retiradas serão substituídas. Há um reforço da coerência da arborização; neste momento há uma mistura, um sistema heterogéneo em que umas crescem mais do que outras e não deixam crescer as outras, pelo que vamos uniformizar isso”, explica.

Os passeios e os pavimentos serão todos substituídos, reparando-se assim as zonas danificadas pelas raízes das árvores. A este nível a obra será de “intervenção mínima” e, nesse sentido, com a alteração dos pavimentos serão reparadas as zonas danificadas, ainda que sem pensar uma alternativa a longo prazo.

Cheias dificultam obras no Clube de Ténis das Taipas

Com a intervenção no último canteiro da alameda, Ricardo Rodrigues projeta um “enquadramento mais valorizado entre o polidesportivo e os courts de ténis”, na medida em que será criada uma zona pedonal nova sem carros e toda nivelada. No horizonte está também a requalificação da zona envolvente aos courts de ténis, algo que, contudo, não está a ser pacífico devido às cheias. O Clube de Ténis das Taipas foi, inclusivamente, contemplado com um subsídio para a reformulação das suas instalações, mas esse projeto tem tido entraves.

“Estamos a trabalhar com o Clube De Ténis das Taipas, a tentar ajudar a requalificar esta zona, mas temos grandes problemas. Estamos numa zona de grande sensibilidade por causa das cheias. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) o que deixa fazer é zero. Estamos a tentar contornar isso há vários anos. Ainda há menos de um ano tivemos uma cheia com 1,60metros, o que torna difícil rebater qualquer argumento.

Foi atribuído um subsídio ao clube, já tínhamos projeto, mas a APA não deixa ampliar a área, e estamos a trabalhar com outros engenheiros do Porto, que trabalham com a APA, no sentido de ver o que se pode fazer. Estamos presos pela água, pelas cheias, e também pelo enquadramento paisagístico porque irá interferir na alameda”, lamenta o arquiteto.
Em reunião de câmara, no dia 6 de julho, foram apresentados os procedimentos referentes ao concurso público da obra de reperfilamento da Alameda Rosas Guimarães. A empreitada terá o custo de aproximadamente 350 mil euros mais IVA, mais precisamente 348.675,10 + IVA, sendo que o prazo estimado de realização desta obra é de nove meses.