Interesse municipal
Sexta-feira, Dezembro 14, 2018

Festejamos hoje, dia 13 de Dezembro, a elevação do Centro Histórico de Guimarães a Património Cultural da Humanidade pela Unesco. Os vimaranenses ostentam com orgulho o reconhecimento desta distinção internacional, conscientes que foi também com o seu envolvimento e a sua participação na sua reabilitação – as acções de sensibilização dos moradores iniciada muito antes pelo Gabinete Técnico Local, instalado no centro da zona a intervencionar, tiveram enorme importância no resultado alcançado – que foi possível atingir este título que a todos nos engrandece.

Somos património classificado porque valorizamos os processos de construção tradicional utilizados na reabilitação do edificado e a manutenção dos seus moradores que o tornam um centro urbano com identidade e vida.

A cada vez maior procura de Portugal como destino turístico, tem colocado este sector no topo das preferências do investimento privado que vê aqui uma grande oportunidade de negócio. O Centro Histórico de Guimarães não é excepção. Ao ritmo dos interesses imobiliários vendem-se prédios do centro da cidade com ou sem inquilinos, sendo que na primeira hipótese, é quase certo que quem investe raramente conta com eles após a reabilitação. A Lei das Rendas e a alteração feita pela ministra Assunção Cristas, abriu as portas à especulação e o destino destes moradores ou comerciantes tem sido invariavelmente o despejo. O Alojamento Local e modalidades afins instala-se de armas e bagagens, pretendendo alargar enquanto der e até onde for possível, contribuindo lentamente para o afastamento dos vimaranenses das casas onde nasceram e onde sempre viveram, originando a gentrificação do nosso miolo urbano.

O comércio tradicional de Guimarães, igualmente vítima de pressões de vária ordem, sendo a principal a concorrência com as grandes superfícies comerciais instaladas muito próximas do centro urbano, passa hoje por grandes dificuldades. É possível vermos ainda alguns estabelecimentos que são negócios de família a sobreviverem a muito custo mas os sinais que chegam antecipam um futuro preocupante.

Na última sessão da assembleia municipal de Guimarães, tentando travar este processo que mais tarde ou mais cedo descaracterizará o nosso Centro Histórico, se nada for feito para o impedir, a CDU apresentou uma moção para que a Camara Municipal fizesse um levantamento dos espaços comerciais de pequenos e micro empresários, instituições e associações da centro da cidade considerados emblemáticas e fundamentais para a preservação da nossa identidade original e que para salvaguarda de apetites imobiliários ou especulativos fossem classificados como actividade com Interesse Municipal de Espaços Tradicionais. Este estatuto além de isentar ou reduzir temporariamente algumas taxas nos licenciamentos e impostos, impediria a sua aquisição para outros fins sem a concordância ou direito de preferência dos seus inquilinos.

O PS, ao contrário de todos os outros partidos com assento na Assembleia, votou contra…
Boas Festas!