Intenções
Sexta-feira, Novembro 16, 2018

O executivo municipal vimaranense usa uma técnica de comunicação de tal maneira eficaz que permite que o que num determinado momento não passa apenas e só duma intenção, rapidamente se transforma para muitos vimaranenses numa realização. Temos que reconhecer que a eficácia do método adoptado na produção colectiva da ilusão está de acordo e ao mesmo nível do que melhor se faz na área das indústrias emergentes e criativas! O seu segredo é a simplicidade da resposta que todos querem ouvir dada no tempo certo. Quando a intenção vem de fora para dentro, primeiro é devidamente escalpelizada e desvalorizada publicamente. Passado algum tempo, desvanecida a paternidade, é adoptada e apresentada como se de uma novidade se tratasse.

O procedimento é o seguinte: as obras ou a sua intenção é anunciada, cumpre a sua função imediata para acalmar as almas mais ansiosas, mas o início de execução e a sua conclusão são vítimas de demora nem sempre devidamente justificadas.

Todos se lembram da Torre da Alfândega e da polémica que deu, quando o executivo tentou por todos os meios tornear a questão da sua ineficácia na identificação do edifício e do não acionamento da cláusula que lhe permitia exercer o direito de preferência em tempo certo quando foi transacionado. É a meio do rebuliço criado, tentando desviar a atenção, que é anunciada a intenção de construir o passadiço sobre o adarve da muralha permitindo o acesso e circulação desde a Câmara até ao Museu Alberto Sampaio. Passaram-se dois anos e eu pergunto: já está feito? Claro que não e as obras tampouco foram iniciadas. O mesmo se passa com a Torre da Alfândega, com projecto feito há muito tempo e sobre obras e o seu início, nada.

Mas quanto a tempos a requalificação do Teatro Jordão bate o record, o primeiro projecto foi executado em 2011 e o início das obras só agora foi anunciado!

O Forno Crematório, que independentemente da forma utilizada para a sua construção não ser do agrado da CDU, pois decidiram entregar a construção e gestão deste equipamento a uma empresa privada, não foge à regra – nem obras, nem vestígios do seu início.

Parece existir uma plataforma de espera, obediente a uma estratégia que prioriza determinado calendário político por forma a ter uma cadência de inaugurações faseadas e de acordo com maior visibilidade em período favorável. A urgência ou a necessidade da conclusão das obras de projectos já anunciados, é secundarizada, prolongando no tempo a promessa de que todos já sabem que se vai fazer, mas que irá esperar pelo momento certo.

Claro que a ansia de anunciar nem sempre resulta, como prova a recente intenção pública de criar o Museu da Indústria na antiga Fábrica do Castanheiro, por se tratar da primeira fábrica têxtil de Guimarães. Pelo que sei, a fábrica foi leiloada e a câmara não manifestou qualquer interesse na sua aquisição. Intenção num momento de inspiração que o tempo e a prática transformaram em mais uma ilusão.

Torcato Ribeiro escreve respeitando o antigo Acordo Ortográfico.