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Importância da Paz Interior
Quarta-feira, Setembro 8, 2010

O QUE É A PAZ

A paz foi e continua a ser uma das grandes preocupações desde o início da história, desde o exacto momento em que o homem descobriu os efeitos nocivos da violência.

Contudo, nem todas as culturas expressaram o conceito de paz da mesma forma. Cada povo acentuou um ou outro aspecto. Para os judeus a palavra “shalom” significa paz: uma paz que é sinónimo de tudo o que de melhor se pode desejar a uma pessoa, sinónimo de felicidade. Os gregos usavam a palavra “Irene” e para eles a paz era sinónimo de bem-estar.

Podemos ficar-nos apenas por sublinhar o conceito de paz no mundo ocidental e no mundo oriental.

No mundo ocidental a ideia de paz não é nova. Mas foi sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, e principalmente ante a ameaça do extermínio nuclear, que surgiu uma maior consciencialização da importância da paz. Apareceram os movimentos pacifistas e também se fundaram organizações internacionais, como a ONU, destinadas a salvaguardar o bem precioso da paz entre as nações. A paz é geralmente vista como a ausência de guerras, devendo os conflitos serem resolvidos através do diálogo.

Também as Igrejas cristãs, de há sessenta anos para cá, se preocuparam com a questão da paz, sublinhando que não se trata apenas de ausência de guerra, mas sobretudo de respeito pelos direitos da pessoa humana. Ficou célebre a este respeito a encíclica “Pacem in Terris”, do Papa João XXIII (1963).

No mundo oriental é proverbial o interesse pela paz e harmonia. Este interesse nasce de motivações religiosas, éticas e de uma cosmovisão original do mundo, das espécies animais e das pessoas. As religiões orientais compreendem a pessoa humana como um ser que alcança a perfeição ao “diluir-se” no Absoluto ou totalidade do universo. Esta ideia religiosa é fundamental, pois sustenta toda a concepção da não-violência oriental. Mahatma Gandhi foi um líder pacifista que acreditou na força da não-violência. Partindo destes pressupostos religiosos, pode chegar a compreender-se como a pessoa humana deve formar um “todo-vital” com os outros homens e mulheres, e com todo o universo.

A convivência em unidade e harmonia será um dos objectivos prioritários das religiões orientais. E os governantes deverão servir este ideal de paz, sem utilizar a violência.

Tendo esta visão ocidental e oriental de fundo, podemos definir hoje a paz a partir de duas vertentes: a negativa e a positiva.

A definição negativa de paz consiste na ausência de guerra. Haverá paz onde não existir o disparar das armas, a explosão das bombas, a destruição e a morte. Esta paz não é tudo, pois podem as armas estar caladas, e sentirmos que a paz cheira a pólvora e ameaça a cada momento acabar por dar lugar à violência.

A definição positiva de paz sublinha que não basta estarem as armas caladas. É preciso que exista respeito pelos direitos da pessoa humana, tais como a qualidade de vida própria de seres humanos, o bem-estar, a liberdade de expressão, de reunião, de associação, de acesso aos bens da cultura, a liberdade religiosa, a igualdade de oportunidades, etc.

A PAZ INTERIOR

A paz interior é uma urgência, pois vivemos numa sociedade onde as pessoas andam inquietas, agitadas, “stressadas”, sem paz interior. Necessitam de se libertar desse “stress” e conseguir viver de uma forma serena e pacífica.

É necessário que cada pessoa tenha um coração pacificado. Só assim será possível que cada um se torne construtor de paz no seu ambiente. Será um coração também pacificador. Começará a fazer a paz dentro de si, no seu íntimo. E depois, como que irradiando em círculos concêntricos ao jeito de uma pedra lançada nas águas do lago, esses círculos vão-se alargando pelo mundo inteiro até se criar uma civilização onde não haverá lugar para as guerras. Esta paz interior acontece quando estamos de bem com a nossa consciência, quando vivemos no amor, quando respeitamos a natureza. Exemplifiquemos.

Em primeiro lugar, é de sublinhar a importância da paz consigo próprio. Esta paz acontece sempre que a pessoa segue a sua consciência bem formada, a qual lhe aponta os caminhos do bem.

De facto, no íntimo de cada um de nós, no santuário da nossa consciência, sentimos como que a presença de Alguém que nos indica os caminhos que devemos seguir para nos tornarmos cada vez mais humanos, cada vez mais felizes. E seguindo a nossa consciência, viveremos em paz. Quando não se segue o bem e se opta por seguir pelas veredas do mal, instala-se dentro de nós o conflito. Não temos a paz de que necessitamos.

Em segundo lugar, devemos viver em paz uns com os outros. Os esposos em paz entre si, os filhos em paz com os pais, os pais em paz com os filhos, os vizinhos em paz uns com os outros, todos a respirarem um ambiente de paz. Nada de pessoas “avinagradas” que estão sempre prontas a declarar a guerra.

Não é lógico que sejamos contra a guerra mas, por outro lado, discutamos com os outros por tudo e por nada, sejamos intolerantes e agressivos com os outros. As guerras “quotidianas”, mesmo sendo pequenas, podem ser tão perigosas como todas as bombas atómicas juntas.

Quando existe a paz com os outros, sentimo-nos felizes. Sentimos que o viver em fraternidade é fonte de paz interior. Todo o rancor e egoísmo nos tira a paz de que necessitamos para viver saudavelmente. Só o amor nos dará a paz.

Em terceiro lugar, podemos sublinhar a importância do ambiente para alcançar e alimentar esta paz interior.

Quando uma pessoa decide sair para o campo ou para a praia, passar um fim-de-semana na montanha, cultivar as flores do jardim, passear na floresta, apreciar o nascer ou o pôr-do-sol, observar atentamente a variedade das plantas e dos animais, saborear o silêncio, escutar a música das aves e o murmúrio das águas das fontes e dos rios, encher os seus pulmões de ar puro, sente-se mais em comunhão com a natureza, sente-se mais inundada de paz.

Esta paz interior é um dom que nos é dado por Deus Criador. Ele habita no nosso íntimo mais íntimo, identifica-se com o que fazemos ao nosso próximo, e deixou na natureza um sinal da sua presença. Ele ama-nos com um amor infinito e quer que vivamos em paz e felizes.

Esta paz interior é também um compromisso. Cada pessoa é convidada a manter esta paz interior como um bem precioso. Para isso, terá de seguir sempre pelos caminhos do bem e do amor. Se de um coração novo nasce a paz, é necessário que este coração seja sempre rejuvenescido pela prática do bem. Aquilo que o envelhece é o egoísmo, que é como que uma doença perniciosa a combater.