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Ilda Pereira vai trepar novamente as montanhas italianas da Alta Via
Ilda Pereira vai trepar novamente as montanhas italianas da Alta Via
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Sexta-feira, Fevereiro 12, 2021

A ciclista vimaranense ganhou em 2017 e vai aventurar-se pela segunda vez nas montanhas da Ligúria e revisitar a dureza e as “paisagens assombrosas” da região.

Quando, em 2017, Ilda Pereira trepou os trilhos da Ligúria sabia que ia voltar. Ali, no noroeste de Itália, competiu na Alta Via Stage Race, prova que é “um chamariz para os aficionados, atletas e amadores de ciclismo” e onde, para além da dureza, encontrou a “Itália dos filmes”, com vinhas, mar e “paisagens assombrosas”. Ganhou a competição. No entanto, o calendário congestionado da atleta vimaranense e as condicionantes provocadas pela pandemia de covid-19 fizeram com que o regresso só fosse possível este ano.

“Vou estar como um peixinho dentro de água”, antecipa. É que, para além da paixão pela cultura italiana, vai encontrar um percurso técnico que se adequa às suas características e rever amigos. A prova congrega atletas com ambições diferentes, explica, “particularmente dentro do BTT e enduro”. “Os atletas vão para esta zona porque é muito exigente. Rapidamente desces, mas depois tens de subir. Para quem faz parte do ciclismo, reconhece que na Ligúria há traçados espetaculares e duros”, completa.

Em tempos comparada com a Iron Bike – prova por etapas em que os atletas podem pedalar durante dez horas por dia –, a competição que se desenrola na fronteira com a França exige preparação. São perto nove dias, oito etapas, 600 quilómetros e um diferencial de altitude de 23 mil metros que esperam os mais de 120 ciclistas inscritos. Ilda é um deles e vai voltar onde já foi feliz em 2017. De olhos postos na prova, a vice-campeã de Cross Country Olímpico opta por “treinos de longa duração, de baixa intensidade e com umas subidas bem inclinadas”. “Isto para sair de lá feliz”, atira. Mas se um bom resultado já contribuiria para essa felicidade, Ilda não descura de reforçar o esforço da organização e o carinho pela cultura italiana: “[A prova] oferece-nos uma Itália real. Enquanto outras provas proporcionam um after race em que tudo é pré cozinhado, onde não há o toque familiar, caseiro, aqui cada comunidade fica tão empolgada por receber os corredores que cozinham para nós.”

É, também, pela hospitalidade das gentes que tem ânsia de regressar. Quatro anos volvidos, a ciclista está prestes a embarcar para mais uma edição desta prova por etapas, a acontecer entre 11 e 19 de junho. O percurso da Alta Via não é marcado por faixas e os atletas orientam-se com base nos materiais fornecidos pela organização (mapas, guias, perfis de elevação GPS e tracks). Como coincide com o Campeonato do Mundo de Maratonas, a vimaranense só consegui palmilhar o percurso em 2017. “Encontrei aquela sublime beleza. Ainda mais do que esperava: troços de enduro que põem à prova a nossa destreza, competências técnicas e capacidade de reação rápida”, lembra.

Ao Reflexo, a ciclista reconhece o cariz transcendente da competição: “Abdiquei de outras provas para colocar a Alta Via no calendário, é brutal, é preciso vivê-la.” Esta simbiose entre competição e meio envolvente deixa a atleta da Casa Mayzé Team expectante para o que os próximos anos podem trazer à corrida. Como ainda não é uma prova UCI (organismo que dirige o ciclismo internacional), atletas “com um budget reduzido”, como Ilda, optam por escolher outras corridas já que só estas dão pontos para o ranking. No entanto, há planos para a corrida “dar o salto.” Nessa altura, a vimaranense terá mais um motivo para incluir a corrida no calendário e revisitar a dureza e beleza da “Itália dos filmes”.