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Guimarães é ponto de referência no domínio da ilustração até ao final do ano
Guimarães é ponto de referência no domínio da ilustração até ao final do ano
Quinta-feira, Outubro 26, 2017

A BIG – Bienal de Ilustração de Guimarães terá trabalhos expostos em vários pontos da cidade de Guimarães até ao final do ano. Falamos com Tiago Manuel, diretor da Bienal, sobre esta arte presente no quotidiano desde a Pré-História, mas nem sempre notada.

: Porquê a escolha de Guimarães para acolher uma bienal de ilustração? Que critérios estavam em cima da mesa para a escolha da cidade?
A cidade de Guimarães é hoje uma referência a nível regional, nacional e internacional na educação, nas artes e na cultura. Teatro, bailado, música, artes plásticas e artes de rua fazem parte de uma programação excelente e constante ao serviço da cidade e daqueles que a visitam. Portanto, não foi difícil eleger a cidade que melhor acolheria o projeto apresentado por mim e pelo Rui Bandeira Ramos ao exigente pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães.

: Aos visitantes que estejam a planear uma visita à BIG, por onde deverão começar? Há algum itinerário que possam sugerir?
Não é preciso um roteiro definido para visitar as diversas exposições, já que todas elas são independentes umas das outras. Começar pelo Centro Cultural Vila Flor, pelo CIAJG, pelo CAAA ou pelo Palacete de S. Tiago (embora as duas últimas só abram em novembro) ou alterar esta ordem não afectará a fruição nem a visão de conjunto das iniciativas.

: Os vencedores do Prémio Nacional já são conhecidos. Como correu a participação no concurso, quer em número de participantes, quer na qualidade dos trabalhos apresentados?
Houve uma boa participação dos artistas e um rigoroso trabalho de avaliação da parte do júri. O resultado geral é excelente. Estão representados a maioria dos grandes ilustradores portugueses.

: A ilustração está em toda a parte – em capas de livros, cartazes, em paredes e até na pele das pessoas. Qual o estado atual da ilustração em Portugal e qual o papel que esperam que a BIG passe a ter na evolução desse paradigma?
Não vou alongar-me na resposta mas quero salientar que a importância da ilustração é muito antiga. Quando se inventou a prensa e o papel passou a ser usado pelos artistas no Renascimento, o desenho passou a ser um meio muito valorizado como expressão artística. De Miguel Ângelo até Picasso, na Europa, e a partir do século XIX no mundo inteiro, centenas de pintores desenvolveram uma intensa atividade no campo da ilustração. Nunca em Portugal existiram tantos e tão excelentes ilustradores. A BIG será, sem dúvida, um poderoso contributo na formação e no reconhecimento desta atividade profissional.

: Shepard Fairley, que expôs recentemente em Portugal; ou o mediático Banksy têm contribuído para uma maior relevância da ilustração. Essa mediatização é o melhor caminho para a divulgação da ilustração?
Todos os artistas que se tornam mediáticos acabam por chamar a atenção e, por consequência, estimular o gosto e a ação artística. Porém, a Arte deve continuar no âmbito da Educação, evitando-se, assim, o terreno escorregadio das modas que desviam, muitas vezes, os artistas do essencial.

: Pedro Moura, no texto de introdução à BIG, fala numa ancoragem da ilustração a outras artes. Que nova visão do mundo poderá acrescentar a ilustração às outras visões sobre o mundo?
As Artes, todas as artes, revivem, renovam-se, e precisamente pela “contaminação” dos muitos e variados saberes. Seja no plano conceptual ou no plano formal ou ainda na manipulação dos materiais antigos e novos, toda a arte, como nos disse Luís Vaz de Camões, é feita de mudança.

BIG – Bienal de Ilustração de Guimarães