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Guimarães com margem para crescer no reconhecimento nacional e internacional
Guimarães com margem para crescer no reconhecimento nacional e internacional
Paulo Dumas
Terça-feira, Novembro 13, 2018

Uma maior diversificação na oferta, que funcione como alternativa à imagem de Guimarães como sendo o Castelo e o Paço dos Duques, aliada à necessidade de virar a estratégia para o Turismo para todo o território concelhio, foram algumas das conclusões do estudo de avaliação sobre o setor.

As primeiras conclusões do estudo que está a ser efetuado em Guimarães, que avaliou nos últimos três meses a cidade e a região como destino turístico, foram apresentadas durante a tarde de segunda-feira, 12 de novembro, no salão nobre da Pousada de Santa Marinha da Costa.

O trabalho foi entregue à Bloom Consulting, que analisou uma série de dados sobre a procura de Guimarães e efetuou quase 60 entrevistas, com agentes locais e internamente, na Câmara Municipal de Guimarães. Este trabalho de prospeção e investigação, apresentado no dia 26 de julho, procura elaborar um diagnóstico e definir uma estratégia, que conduza à capitalização da atratividade turística de Guimarães.

Na sessão foi analisada uma matriz de indicadores que apontam quais os aspetos positivos e aqueles que precisam de ser melhorados. Os acessos e a mobilidade no concelho é um dos primeiros aspetos apontados na avaliação sobre Guimarães como atração turística, revela o estudo. Saiu também claro que a qualidade da oferta turística é avaliada positivamente, embora faltam serviços complementares, que ajudem a consolidar a oferta existente.

Filipe Roquete, responsável pela Bloom em Portugal, que apresentou os resultados da primeira fase do estudo, salientou que a análise é reveladora quanto à necessidade de diversificar e descentralizar a oferta turística. Guimarães está demasiado dependente dos imaginários ligados à história e à fundação de Portugal. No entanto, este argumento sendo forte internamente, não é suficientemente atrativo para quem procura destinos turísticos fora do país, sendo que, acrescenta ainda Filipe Roquete, é difícil passar a importância desta mensagem para o exterior.

Colocada ao lado de destinos turísticos nacionais, considerados equiparados com Guimarães, o estudo conclui que existe ainda margem de crescimento para a atratividade e consequente procura de Guimarães, tanto ao nível interno como internacional.

Outro dos aspetos sublinhados nesta primeira análise é a impressão positiva de quem visita o território, mas por outro lado, sendo a grande maioria das visitas de muito curta ou curta duração, não existe tempo que para que os visitantes colham uma experiência completa de Guimarães. Nesse sentido, o aumento do tempo de presença no território vimaranense é um aspeto crítico que ressalta do estudo.

A unificação de todo o território, pondo de lado a visão centralista em torno do centro histórico que tem vigorado nos últimos anos é outra debilidade apontada. Há necessidade de aproveitar outros recursos complementares existentes no território, que estão localizados fora do centro da cidade. Este aspeto, associado à curta estadia e ao desconhecimento de Guimarães fora de Portugal, são também tópicos que tem necessidade de ser trabalhados.

A Bloom Consulting avançou já nesta fase com um conjunto de recomendações que, além da necessidade de unificar todo o território do concelho, deverá passar por uma melhoria na forma de comunicar os ativos turísticos, contrariando a ideia que Guimarães é o Castelo e o Paço dos Duques, e ainda diversificar e segmentar a oferta. Há também necessidade de diversificar os públicos alvo, através de uma segmentação inteligente criando atividades específicas.

Tanto a segurança e a estabilidade política, como a qualidade dos equipamentos existentes na cidade foram aspetos que se revelaram como forças positivas de Guimarães. A perceção clara que existe internamente do que é Guimarães, mesmo que sendo superficial como se viu, é também algo apontado como positivo e sobre o qual existe um alinhamento de perceções entre quem é de Guimarães e quem avalia o concelho de fora.

A segunda fase do estudo iniciou-se já no dia seguinte ao da apresentação destas primeiras conclusões do estudo. De um workshop com agentes locais deverá resultar a definição de um conceito agregador, uma “ideia base”, que deverá ser trabalhada ao nível do place branding. A imagem de Guimarães deverá ser acompanhada de uma plano de ação orientado com as primeiras conclusões e com a tal “ideia base” que deverá ser concebida nos próximos dias.