Guimarães a duas velocidades…
Quinta-feira, Fevereiro 22, 2018

Recentemente participei numa reunião de câmara descentralizada na freguesia de Silvares. Uma iniciativa meritória introduzida pelo Presidente da Câmara e que permite uma maior proximidade entre os órgãos do município e as populações. Proximidade essa que ficou muito evidente nesta deslocação a Silvares.

Dada a palavra aos alunos e aos representantes das instituições, foram vários os “reparos” ao executivo municipal. Ora era a escola que metia água, ora eram os buracos da rua, ora era o ecoponto que não existe, ou ainda a dificuldade que os jovens sentem em fixarem-se nesta freguesia por não terem zonas habitacionais.

Esta realidade contrasta com aquela que muitas vezes se tenta passar, de um concelho coeso no seu desenvolvimento, dos grandes projetos culturais, das capitais verdes e dos prémios de arquitetura da Plataforma das Artes.

Há uma outra realidade, talvez a mais significativa, que ficou ali espelhada. Percebeu-se o embaraço do Presidente da Câmara, não poderia reagir de forma diferente. Depois de serem apresentados desnivelamentos, novas acessibilidades, novas centralidades, levamos um banho de realidade dos mais novos onde se percebeu que há ainda muito trabalho a fazer ao nível do que é mais básico numa sociedade desenvolvida.

Ficou ali bem espelhado que há duas velocidades no desenvolvimento do concelho. É, também, por isso que eu não me canso de reafirmar que a Câmara não pode continuar a distribuir o seu orçamento da forma que tem feito. Nomeadamente às Juntas de Freguesia, a quem teima em distribuir pouco mais de 2.5 milhões de euros de um orçamento global de 105 milhões de euros. Se as Juntas tivessem uma maior autonomia financeira, como acontece por exemplo em Barcelos ou em Braga, o Sr. Presidente da Câmara provavelmente não ouviria o que ouviu dos alunos da escola.

É este o paradigma que temos de mudar em Guimarães. Dar a autarquia igual importância às necessidades básicas, tal como tem dado aos grandes projetos. Quando temos camiões que têm de ser rebocados por tratores agrícolas para chegarem a um parque industrial porque o acesso é fraco, como aconteceu na semana passada em S.Torcato, está tudo dito.