Guimarães Capital da Cultura
Sexta-feira, Março 29, 2019

Guimarães preparou-se durante décadas para conquistar um lugar destacado na cultura europeia. Ser Capital Europeia da Cultura foi a consequência de uma estratégia que teve na classificação do centro histórico como Património Mundial em 2001, um impulso decisivo.

O município assumiu, desde o tempo do Presidente António Xavier, a valorização do património histórico como principal âncora de afirmação nacional e internacional da nossa terra.

António Magalhães aprofundou e obteve os títulos que marcam a história recente de Guimarães, numa estratégia cultural que definiu como prioritária. Teve esse mérito à luz do caminho que definiu.

Conquistado o galardão, realizada a festa em 2012, assimilada a “marca” cultural que nos devia distinguir para sempre dos demais territórios, o que decidiu fazer o novo executivo liderado por Domingos Bragança? Meter na gaveta esta “marca” e avançar para outra – Capital Verde Europeia.

Se a memória não me trai, julgo que em 2016 num dos programas da Rádio Fundação, onde com gosto participei no âmbito da iniciativa Green Weekend, referi que era um erro estratégico Guimarães deixar de apostar na “marca” Capital da Cultura. Não porque acho mal que se decida colocar nas prioridades do município as políticas ambientais, bem pelo contrário. A questão tem a ver com o posicionamento ao nível do chamado marketing territorial.

Todos sabemos da dificuldade em conquistar o reconhecimento de uma marca, seja ela comercial, seja ela de um território. Guimarães conquistou essa marca que estava ao alcance de poucos e, dois anos depois, mudou de foco, desbaratando todo esse património.

Continuo a pensar o mesmo hoje. Pelo legado que recebemos dos nossos antepassados e pelo trabalho que fizemos até 2012, foi um erro irreparável virar a “agulha” do nosso posicionamento estratégico para com o exterior. Julgo mesmo que esta decisão teve consequências importantes na redução do volume de turismo e na galvanização do tecido associativo cultural concelhio.

Por vezes querer fazer diferente para marcar uma liderança não significa fazer melhor.