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Glockenwise regressam aos Banhos Velhos. O rock é diferente, mas ainda é rock
Glockenwise regressam aos Banhos Velhos. O rock é diferente, mas ainda é rock
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Quinta-feira, Maio 23, 2019

Regresso dos Glockenwise às Caldas das Taipas e aos Banhos Velhos. Passaram por este mesmo recinto em agosto de 2012. Falamos com o guitarrista Rafael Ferreira (à direita na foto) para perceber o que mudou desde então.

O disco novo é muito diferente dos anteriores – o idioma, os temas, a formação da banda. Por que processo passam para terem regressado em 2018 tão diferentes desde a última vez que vos vimos?
Sem dúvida! Olhando para este disco e para os anteriores, penso que há grandes diferenças que saltam à vista. É engraçado pensar nisto porque, durante o processo de composição, nunca senti uma diferença assim tão grande. Penso que este caminho foi sendo anunciado durante o “Heat”e o “Plástico” foi a nossa oportunidade para colocar em prática algumas ideias que tínhamos na cabeça.

Há latente uma consciência e algum tormento sobre algumas das questões que formatam o nosso dia a dia. O que mudavam na forma como nos relacionamos?
A temática do disco aborda algumas dessas questões que  rodeiam os nossos dias. No entanto, não é nossa intenção fazer uma proposta de mudança. Limitamo-nos apenas a falar sobre esses assuntos.

Todos os conceitos que trabalham musicalmente saltam para o objeto físico como é apresentado o disco. Queres explicar esse processo de aproximação a artistas de outras disciplinas?
Para este disco, para além de música, quisemos também introduzir outros elementos. Foi uma vontade nossa desde o início e para verter as nossas ideias para a realidade, contamos com a preciosa ajuda da Francisca Marques (direção de arte) e do Miguel Filgueiras (vídeo). Essa parte do processo foi muito importante para que tudo desse certo no final.

O som do disco deixou de lado o rock e agora é mais polido e esclarecido. Nunca sentiram o chamamento de um som mais abrasivo?
Penso que a sonoridade mais rock continua a estar presente (e muito) no nosso disco. Músicas como “Corpo”, “Sempre Assim”, “Dores” e “Bom Rapaz” são alguns exemplos de músicas com muita guitarra. Acho que o que mudou mais, foi a velocidade a que os temas são tocados e penso que é por isso que as pessoas dizem que é menos rock. Resumidamente, somos a mesma banda, mas com um rock diferente.

Lembras-te de teres tocado no bar N101, perto das Taipas, em 2007?
Perfeitamente! Ainda estes dias, encontrei o membro do The Hypers, que tocaram connosco nessa noite.

O circuito de concertos das bandas está muito diferente. Sentes falta de alguma ingenuidade daqueles dias de rock (quer do lado dos promotores, quer do lado dos músicos)?
Lembro esses dias com muita felicidade. Acho que os músicos tinham pouca noção daquilo que estavam a fazer e isso dava mais carácter às suas bandas. Sobre os promotores não posso dizer muita coisa porque não prestava atenção a essa parte. Só queria mesmo tocar.

Os Glockenwise tocam na sexta-feira, 24 de maio, às 22 horas, nos Banhos Velhos. O evento é de entrada livre e inaugura a temporada de concertos no antigo balneário termal.