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Fazer o que deve ser feito
Quinta-feira, Fevereiro 2, 2017

Há lugares que são mais do que um simples lugar. Porque são sítios que acabam por simbolizar uma comunidade, que para com eles desenvolve um forte sentimento de pertença. Porque são atravessados por gerações e gerações de cidadãos que são também atores na respetiva construção, seja nas alterações físicas que lhe vão sendo acrescentadas, seja nas próprias vivências, nos próprios hábitos das pessoas que os frequentam, que os povoam, que neles habitam, fazem comércio, que lhe dão vida. Na cidade, há uns anos a esta parte, assistimos à transfiguração de um desses lugares. Refiro-me, como já devem ter percebido, ao conjunto Toural e Alameda São Dâmaso.

Essas transfigurações, constituem processos muito delicados, essencialmente pelas razões a que acima aludi. É como se estivéssemos a remodelar a sala de visitas de cada um de nós. Naturalmente, toda a gente tem opinião acerca dessa “remodelação” e é também natural que essas opiniões contenham um grau apreciável de conservadorismo: habituámo-nos a ver as coisas de uma determinada maneira e qualquer alteração é encarada por muitos como uma agressão não só ao espaço como a si próprio, às suas memórias ao seu sentimento de pertença àquele lugar. Destas discussões nunca sairemos com uma opinião unânime e é normal que assim seja.

Qual deve ser então a preocupação do poder público ao intervir? A meu ver, devem ser três. A primeira é a de não se deixar atemorizar por esse conservadorismo. Se cedermos a esses receios, nunca nada se fará e é bom que os lugares, mesmo os tais lugares especiais, se adaptem aos novos tempos, ganhem novas valências, cresçam para não estiolarem.

A segunda é que, quem é escolhido para liderar o processo de alteração, seja alguém de reconhecido mérito e capacidade, com provas dadas e que saiba e entenda o que se pretende com uma intervenção destas.

A terceira é que a população deve ser envolvida na discussão do projeto, sendo escutadas as suas preocupações e adaptado o mesmo na medida em que aquelas sejam, como muitas vezes são, contributos válidos para o enriquecer.

Ora, na requalificação do centro cívico das Taipas sou da opinião que o Município está justamente a seguir à risca aqueles princípios. Assim e desde logo entendeu que essa requalificação era uma prioridade e por isso desencadeou o complexo processo de a fazer. Este o ponto essencial de decisão política por parte da edilidade.

Em segundo lugar, a escolha da Arquiteta Maria Manuel Oliveira e da sua equipa da Escola de Arquitetura da Universidade do Minho mostra não apenas uma vontade de que a requalificação seja protagonizada pelos tais peritos de craveira indiscutível, como é mesmo um gesto simbólico da importância que se dá a este processo, o qual tem a mesma dignidade daqueloutro que incidiu sobre o Toural em 2011.

Finalmente, espera-se que a discussão em torno e subsequentemente à proposta inicial a apresentar na sexta-feira aos taipenses decorra de forma frutuosa e contribua para o esclarecimento dos munícipes e mesmo melhoramento do mesmo.

Fazer isto, não é fazer favor nenhum às Taipas e aos taipenses. É fazer o que é justo. É fazer o que deve ser feito.