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Estudos
Quinta-feira, Janeiro 23, 2020

António Costa afirmou que o país tem condições e capacidade para dentro de alguns anos entrar para o clube dos produtores de comboios.

Para todos aqueles que apostam no reforço da ferrovia como meio de transporte colectivo, esta declaração só pode ser benvinda, pecando apenas por tardia. No entanto não podemos esquecer que nesta afirmação, significando uma mudança da prática governamental no actual panorama ferroviário, não há qualquer novidade, e o primeiro-ministro sabe que Portugal desde a década de 60 produziu comboios, e só o deixou de fazer pelo continuado desinvestimento no sector de transportes ferroviários, que sucessivos governos liderados pelo PS e PSD levaram a cabo nas últimas décadas após Abril. O abandono da modernização do caminho-de-ferro, política em contraciclo com o que acontecia em toda a Europa, foi compensado com o reforço das vias rodoviárias. O apogeu desta opção aconteceu com Cavaco Silva que, contaminado com o vírus do asfalto cobriu o país de alcatrão de ponta a ponta, abandonando e desactivando linhas, estações e apeadeiros, acentuando as assimetrias entre o interior e o litoral com os resultados negativos que estão à vista.

Em Guimarães estas políticas reflectiram-se na desactivação da linha que nos ligava a Fafe e na extinção do serviço de transporte de mercadorias. Posteriormente as obras de requalificação da Estação e da linha Guimarães /Lousado melhorou o trilho mas a manutenção de apenas uma linha de circulação condiciona a opção por horários alternativos com viagens mais rápidas entre os principais destinos urbanos.

Guimarães tem problemas de mobilidade e isto já não é novidade para ninguém, e foi a pensar nisto que a AJEG – Associação de Jovens Empresários de Guimarães, decidiu contribuir para a resolução desta necessidade apresentando em debate publico, aberto à sociedade civil, o Tramway como meio de transporte urbano para o futuro. Este debate, realizado no Auditório da Universidade do Minho em Azuém, contou com a presença de docentes da UM, representante da Transdev, responsáveis autárquicos e representantes das forças políticas vimaranenses.

Nesta apresentação foi relevada a facilidade que este processo envolve, a sua importância como meio de transporte não poluente e a sua eficiência para as necessidades da nossa realidade local. O debate seguiu outro caminho como seria de esperar, e centrou-se na mobilidade urbana, tema tão badalado na actualidade como prioridade absoluta para a nossa sustentabilidade.

O que nos foi apresentado constitui uma solução complementar para a transformação na mobilidade que todos dizem querer, mas o que ficou bem demonstrado foi que com a pouca informação disponível não é possível concluir com pormenor e rigor qual o melhor figurino para Guimarães.

A este propósito, Domingos Bragança disse que sem estudos nada se faz. Completamente de acordo, só não percebo por que razão ainda estamos há espera de estudos para intervir numa questão fundamental para o nosso crescimento e desenvolvimento sustentável!

Torcato Ribeiro, Janeiro de 2020