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Estranhos tempos estes, em que mais vale parecer que ser
Quinta-feira, Outubro 29, 2020

Enquanto concelho, fomos (e aparentemente continuamos a ser) candidatos a capital verde europeia. Na freguesia fomos galardoados com a distinção eco-freguesia, há brigadas verdes, o tema ecologia está sempre na ordem do dia, e depois há a realidade com que nos deparamos.

Nunca, o parque arbóreo da nossa vila sofreu tantas baixas como nestes últimos 3 anos. A alameda Rosas Guimarães está despida de árvores, o parque, todos os invernos, perde árvores. As obras no mercadinho levaram ao abatimento de praticamente todas as árvores que lá havia, e com elas, toda a graça e beleza daquele espaço, as obras junto à igreja preparam-se para aniquilar umas quantas árvores. E o rasto de destruição de árvores não ficará por aqui.

Sacrificar árvores em favor de betão já provou ser uma política retrógrada, pacóvia e com consequências muito sérias para a nossa qualidade de vida. Qualquer criança do ensino primário sabe que sem árvores não há vida, são elas que permitem o equilíbrio de todo o ecossistema.

Nos centros urbanos são as árvores que ajudam a regular a temperatura, dão-nos sombra fresca, ajudam a prevenir cheias, são o habitat natural dos pássaros que nos livram dos insetos, protegem do vento, reduzem o ruído, embelezam os espaços, contribuem para o bem-estar das comunidades. Não será por acaso que todas as localidades com tradição termal têm uma mancha verde enorme.

A propaganda da junta de freguesia fala do abatimento das árvores como um mal necessário e anuncia a substituição das “árvores assinaladas como “em muito mau estado” pela avaliação fitossanitária já realizada em 2016 pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro”. O que não explica é porque é que as árvores chegaram ao ponto de “muito mau estado”.

O novo não substitui o velho. Acenar com novas árvores pode distrair alguns deslumbrados, mas não apaga a negligência e a falta de cuidado que o município tem com o seu património natural. Não se substituem árvores com 30, 40, 50, 100 anos. As suas cores, o seu perfume, fazem parte da identidade da vila, da sua paisagem.

A política do descarte, do deita fora, do troca o velho por novo é a antítese da ecologia. Ecologia é preservar, cuidar, e manter, exatamente tudo o que a política municipal não fez, nem faz, em relação às árvores. São antigos os problemas com as podas na nossa vila. O cuidado que o município tem relativamente às árvores é inexistente, e a prova é a argumentação que agora usa para deitar as árvores abaixo, dizendo que estão em “muito mau estado”.

E se esta é a política para as árvores, a política com as pessoas não será muito diferente.