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Por que estão tão desmotivados e indisciplinados os alunos?
Por que estão tão desmotivados e indisciplinados os alunos?
Alfredo Oliveira
Domingo, Junho 4, 2017

Foi uma das questões lançadas por Santana Castilho no colóquio “Cidadanias”. A resposta passa pela “responsabilização” e por “não ignorar, nem branquear, nem contemporizar com a indisciplina”.

“Há uma crise de autoridade na escola, a indisciplina banalizou-se, comportamentos anteriormente condenados são agora tolerados, a linguagem obscena vulgarizou-se e o desarranjo sintático e ortográfico parece não incomodar os adultos”, afirmou Santana Castilho.

Para esta realidade, muito contribuíram os últimos governantes: “Os governos foram denegrindo e enxovalhando a classe docente e pretendem que os docentes sejam cumulativamente pais e mães por delegação, educadores sexuais, psicólogos e tudo mais que é despejado na escola”.

O professor universitário defendeu que a melhor forma de combater a desmotivação dos alunos e, principalmente, a indisciplina, passa por um conjunto de intervenções sem peso orçamental. Defende uma efetiva autonomia para as escolas e que estas pudessem construir códigos de conduta próprios, com tolerância zero.

Para além destas medidas, aponta a existência de “estruturas tutoriais suficientes e apoio psicológico adequado para as situações problemáticas. Criticou as aulas de 90 minutos “que aumentaram as dificuldades de controlar os alunos que boicotam o trabalho do professor” e foi muito crítico para com as aulas de substituição, “tivessem todos a coragem de admitir que as falsas aulas de substituição, da forma como são geralmente pensadas e postas em prática, constituem um inútil e evitável massacre para alunos e professores e que geram ainda mais indisciplina”, apontando que “seria preferível deixar os alunos livres no recreio”.

A diminuição do número de alunos por turma, principalmente nas escolas com problemas, foi defendida e, concluindo, desejou que os professores pudessem “respirar” e “voltar ao estatuto da carreira antes de Maria de Lurdes”.

Recorde-se que O “Cidadanias”, do dia 3 de junho, organizado pelo Núcleo de Estudos 25 Abril, contou ainda com a presença de José Ribeiro e Castro e José Mesquita, em substituição de Alexandra Leitão, atual secretária de estado adjunta da educação, que não esteve presente por questões de agenda de última hora.

Sobre esta última mudança, Santana Castilho produziu algumas declarações que causaram um mal-estar em alguns dos presentes, “pela forma e conteúdo como foram produzidas”. Em resumo, o antigo membro do VIII governo constitucional afirmou que se sentia “consternado” por não ver presente Alexandra Leitão e explicou porquê: “Imaginava-me perfeitamente esmagado pelo peso do pensamento reflexivo da senhora e afinal fui confrontado com uma etérea esvoaçadela por agenda de última hora. Eventualmente, algures numa quadra de basquetebol encestando alguma bola com o nosso gentilíssimo encesta bolas que é também Ministro da Educação”.

O professor e cronista, na sua longa intervenção, classificou ainda a questão do currículo e programas como “um dos maiores problemas da educação”, que se vai agravando pelo “desprezo que os sucessivos ministros da tutela vão tendo pelo trabalho que os seus sucessores fizeram ao longo destes últimos 40 anos”. Criticou a “saga experimentalista do atual governo”, afirmando que “o discurso redondinho da gerigonça educativa engana mais e mais facilmente”.

Defendeu a urgência de “classificar muito do agora trabalho não letivo como trabalho efetivamente letivo” e de “recuperar todo o tempo congelado”, a “recuperação das carreiras” e eliminar a “a estúpida carga burocrática que submerge os professores”.
Sobre a autonomia das escolas diz que se trata de um “discurso repetido e pouco concretizado”, e que as escolas estão “em controlo remoto” tendo nas suas direções “não os professores mais competentes, mas sim os mais obedientes a lógicas centrais e autárquicas”.