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Escolas não resistem à escalada da pandemia, mas o 1.º período foi positivo
Escolas não resistem à escalada da pandemia, mas o 1.º período foi positivo
Bruno José Ferreira
Quinta-feira, Janeiro 21, 2021

O primeiro período letivo do ano escola 2020/2021 foi, sem dúvida, o mais diferenciado de sempre no que ao ensino diz respeito. Tal como nas restantes áreas, também nas escolas a pandemia teve os seus efeitos, sendo que as crianças e adolescentes regressaram à escola depois de meio ano de ausência do espaço físico escolar e em que se manteve o ensino à distância.

Finalizado o primeiro período escolar o balanço traçado quer por Adelina Pinto, vereadora municipal e principal responsável pela vertente do ensino em Guimarães, assim como por parte dos diretores dos estabelecimentos de ensino da zona norte do concelho, é positivo. Segundo dados a que o Reflexo teve acesso, num universo de 3958 alunos da Escola Secundária das Taipas, Agrupamento de Escolas das Taipas, Agrupamento de Escolas Arqueólogo Mário Cardoso (Ponte) e Agrupamento de Escolas de Briteiros, apenas 4,5% foram infetados pelo novo coronavírus, ou seja 182. Maior foi o número de alunos que esteve em isolamento 1321, o que significa praticamente um terço da comunidade escolar.

Adelina Pinto traça um balanço positivo deste primeiro período em declarações ao Reflexo. “O meu primeiro balanço é muito positivo. Nunca nenhuma escola fechou, conseguimos ter uma resposta muito importante por parte das escolas e as escolas adaptaram-se de uma forma fantástica às restrições. Os diretores e professores conseguiram, de alguma forma, assumir até muitas das fragilidades que a própria saúde pública tinha pela falta de resposta em tempo real e, portanto, assumiram muito essa responsabilidade. Portanto, eu acho que foi um balanço muito positivo e que aprendemos todos muito”, refere.

Mesmo estando o foco na Covid-19 fica a garantia que o ensino nunca foi esquecido, mas Adelina Pinto considera que os efeitos psicológicos no futuro poderão assemelhar-se aos de um contexto de guerra. “O que os investigadores têm estado a estudar, é que esta pandemia se deve assemelhar a uma guerra. Quando vemos o que é que uma guerra faz às crianças, faz com que as crianças não andem à vontade na rua, que andem com medo, ou seja no fundo é uma guerra contra um inimigo invisível. Neste conceito de guerra, aquilo que achamos é que trinta por cento das crianças vão ter problemas complicados a nível da saúde mental. Vão aumentar os medos, as inseguranças e isso nós sentimos”, conclui Adelina Pinto.

DADOS COVID-19 NAS ESCOLAS DO NORTE DO CONCELHO

Secundária Taipas AE Taipas AE Ponte AE Briteiros TOTAL
Alunos infetados 66 (7.2%) 56 (4.1%) 35 (3.3%) 25 (3.9%) 182 (4.5%)
Alunos em isolamento 181 (19.8%) 690 (51.1%) 340 (32.7%) 101 (14.1%) 1312
Turmas em isolamento 6 16 11 7 40

 

OPINIÃO DOS DIRETORES DAS ESCOLAS NO FINAL DE DEZEMBRO

 

“Tivemos de nos readaptar constantemente”
Celso Lima – Diretor da Escola Secundária das Taipas

 “A escola, em função do decorrer dos acontecimentos, teve de se ir adaptando. Começámos o ano letivo com a expetativa elevada, acreditando que seria melhor do que o período anterior. Mas fomos percebendo que as coisas iam acontecendo e havia necessidade de se ajustar toda a dinâmica de funcionamento. Em termo de saldo é um saldo positivo, tanto mais que acho que estamos no rumo certo em termos de rede, porque as escolas têm trabalhado muito em articulação”.

 “Resiliência dos professores foi enormíssima”
João Montes – Diretor Agrupamento de Escolas das Taipas

“Partimos do pressuposto que, eventualmente, teríamos turmas em casa, tínhamos um modelo implementado de ensino à distância, estávamos preparados para ter parte dos alunos na escola e outra parte em casa, mas não estávamos à espera que uma terceira situação se vivesse impor de forma significativa: parte dos alunos de uma turma estarem na escola, parte estar em casa e isso acontecer quase de diariamente de forma sistémica. Isso trouxe-nos problemas crescidos ao nível da gestão organizacional da escola, tivemos de responder com eficácia, ao nível da prática pedagógica, em que a resiliência dos professores foi enormíssima porque tinham elaborado um quadro de planeamento a pensar naquilo que era a evolução da pandemia e a resposta adequada à situação”.

“Período feliz para alunos pelo regresso à escola”
Artur Monteiro – Diretor Agrup. de Escolas Arqueólogo Mário Cardoso (Ponte)

“É que importa realçar o facto de sentirmos que os nossos alunos estavam muito felizes no fim do período. Até em conversa com os alunos no fim do período nós perguntávamos o que tinha sido melhor, ou qual foi o seu sentimento perante dois modelos de ensino que tiveram em poucos meses, no final do ano letivo anterior e este primeiro período. Eles foram, todos perentórios a transmitir aos professores que a presença na escola lhes dá vida e lhes dá alma”.

 “A escola conseguiu cumprir a sua missão”
Luís Morais – Diretor Agrupamento de Escolas de Briteiros

“Considero que apesar de tudo, mesmo com os constrangimentos com os professores que ficaram em isolamento, o número de professores positivos, a escola conseguiu cumprir a sua missão. Os alunos mesmo estando em casa, ou tiveram aulas à distância, ou tiveram trabalhos via Classroom. Eu considero que foi um processo positivo, mas não desejável. Não sinto que o processo de aprendizagem tenha sido quebrado por causa dos constrangimentos da Covid-19”.