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Escola básica 2,3 empurrada para o último lugar do concelho
Quarta-feira, Março 13, 2019

Era suposto e exige-se que os órgãos da administração pública prossigam o interesse público.

O interesse público a defender quando se despeja uma escola e se distribuem os alunos por muitas, situadas em freguesias distantes entre si, para construir outra no mesmo local, é a rapidez com que se faz.

A noção de que quanto menos tempo demorasse a construção da escola melhor, foi assumida, publicamente, pelo Presidente da Câmara de Guimarães, pelo Director da EB 2,3 e, em geral, por toda a comunidade escolar, sendo uma preocupação primordial das Associações de Pais e, como não poderia deixar de ser, dos professores.

Essa noção transformada em preocupação causada pela distribuição dos alunos pelas escolas do concelho, pela divisão forçada, que é como dizer, foram frequentar escola alheia, é uma fonte de perturbação dos alunos, a maioria dos quais se sentem deslocados.

Parece intuitivo, e nem precisa de constar em qualquer relatório de avaliação, que a mudança, com despejo, ocasionada pela construção da escola seria um factor negativo no percurso escolar e educativo dos alunos.

E se essa intuição existia, os factos vêm confirmá-lo: a EB 2,3 das Taipas posicionou-se em último lugar no ranking das escolas até ao 9.º ano do concelho de Guimarães.

Cabe referir que Secundária de Caldas das Taipas foi a melhor do concelho em 2018.

Pela primeira vez, creio, a EB 2,3 de Caldas das Taipas alcançou tal lugar no ranking.

É claro que tal desempenho está directamente relacionado com o nomadismo (deslocados) a que foi obrigada.

E foi por isso que o Sr. Presidente da Câmara anunciou, prometeu, em uníssono com o Sr. Director, que a ausência dos alunos das agora novas instalações se iria prolongar por um só ano lectivo. As obras começavam em Junho de um ano e terminavam no Junho do ano imediatamente a seguir.

Não foi assim. A escola vai ser inaugurada, pelo menos, dois anos após o início das obras.

A construção da escola atrasou-se um ano em relação ao prazo inicialmente anunciado.

O problema é que, desde Dezembro, escola está pronta a receber os alunos a nível de construção civil.

Só não está pronta, como dizem, ao nível do mobiliário e na ligação à Internet, é por planeamento deliberado da Câmara Municipal em conluio com a Junta de Freguesia de Caldelas.

A “conclusão” – mobiliário e Internet – está a ser atrasada para que possa ser inaugurada em 24 de Junho ou em Setembro, a poucos dias antes do início da campanha eleitoral para as legislativas.

Está bom de ver: o PS põe à frente dos interesses dos cidadãos, dos alunos, da escola e de toda a comunidade escolar, a sua agenda partidária, estando-se burrifando para as aprendizagens e desempenho dos alunos.

A Câmara Municipal atrasou a instalação da escola de propósito de modo a fazer coincidir a inauguração em período eleitoral favorável não se importando que o preço a pagar fosse empurrar a EB 2,3 de Caldas das Taipas para o último lugar das escolas do concelho.

Tudo isto existe! Tudo isto é triste! Tudo isto é… pensado.